sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Diodos Retificadores: Família 1N4000

Olá a todos. Hoje vou fazer a tradução do datasheet dos diodos retificadores de uso geral da (conhecida) família 1N4000. Essa família é amplamente utilizada nos estágios de retificação dos circuitos, e é por isso que estudaremos esses diodos hoje.

1N4001-1N4007 (Retificadores para Aplicações Gerais)
Encapsulamento de vidro tipo DO-41 (faixa colorida indica o catodo).


Valores Máximos Absolutos (considerando a temperatuda ambiente [[;T_A;]] como sendo 25°C, quando não especificado).

* Tensão Máxima de Pico Reverso Repetitivo (PIV ou Vrrm):
-1N4001 até 50V
-1N4002 até 100V
-1N4003 até 200V
-1N4004 até 400V
-1N4005 até 600V
-1N4006 até 800V
-1N4007 até 1000V

* Corrente Média Direta Retificada ([;T_A;]=75°C): 1A;

* Corrente Direta Máxima de Pico Não-repetitivo (8,3ms com meia senóide): 30A;

* Faixas de Temperatura para Armazenamento: -55°C até 175°C;

* Faixas de Temperatura para Operação: -55°C até 175°C;

Caracterísitcas Térmicas.
Obs.: Os valores a seguir servem para todos os diodos entre 1N4001 até 1N4007.


* Dissipação de Potência: 3W

* Resistência Térmica, da Junção para o Ambiente: 50°C/W

Caracterísiticas Elétricas ([;T_A;]= 25°C quando não especificado).
Obs.: Os valores a seguir servem para todos os diodos entre 1N4001 até 1N4007.

* Tensão Direta em 1A: 1,1V;

* Corrente Reversa Máxima com Carga Total, em um Ciclo Completo ([;T_A;]=: 75°C): 30[;{\mu}A;];

* Corrente Reversa medida em Vr: 5,0[;{\mu}A;] ([;T_A;]=25°C) e 500[;{\mu}A;] ([;T_A;]=100°C);

* Capacitância Total (Vr = 4V, f = 1,0MHz): 15[;{\rho}F;];

Bem pessoal, esses são os dados traduzidos da primeira página do datasheet da Fairchild Semiconductors sobre seus diodos da família 1N4000. Mas, em geral, todos os diodos dessa família devem obedecer as caracterísiticas acima comentadas. E, de "brinde", vocês ganham a seguir as dimensões do encapsulamento DO-41. Abraço e até a próxima!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Teoria dos Diodos



Olá a todos! Estudamos recentemente a teoria sobre os materiais semicondutores e, dando continuação ao tema, falaremos hoje sobre a teoria do funcionamento do diodo. Neste post você ficará sabendo o que é um diodo, qual a sua função e aprenderá o necessário para vermos mais coisas futuramente.

O diodo mais comum consiste "simplesmente" da união de uma junção tipo N com uma junção tipo P. De um lado, ele possui material com muitos elétrons livres, enquanto do outro um material com muitas lacunas. No local de união desse material, alguns elétrons preencherão as lacunas (fenômeno chamado de recombinação), formando ali no meio uma região sem portadores de cargas livres. Essa região é chamada de camada de depleção. A figura abaixo esquematiza bem o interior do diodo:


O que acontece, com mais detalhes, é o seguinte. De um lado temos uma região N, ou seja, ela tem muitos elétrons livres. Essa região possui o material semicondutor (em geral silício) dopado com átomos pentavalentes, ou seja, que possuem 5 elétrons na última camada. Como na ligação covalente dos átomos de silício só são utilizados 4 elétrons, um daqueles cinco fica "sobrando", com bastante liberdade para se movimentar e conduzir corrente elétrica.

Do outro lado temos a região tipo P. Ali o material semicondutor é dopado com átomos trivalentes, ou seja, com apenas 3 elétrons na última camada. Como já falei antes, a ligação covalente necessita de 4 elétrons, mas como esse átomo possui apenas 3, ele deixa um "buraco" no lugar da ligação daquele quarto elétron. O nome desse buraco é lacuna, e ela se comporta como se fosse uma carga positiva, que se movimenta e conduz corrente elétrica. Para entender melhor essa parte recomendo as postagens "Modelo Atômico" e principalmente "Uma Introdução aos Semicondutores".

No ponto onde as duas regiões se juntam (chamado convenientemente de junção) ocorre a mágica dos semicondutores. De um lado temos alguns elétrons com liberdade para se movimentar. Do outro temos lugares onde deveriam ter elétrons, mas a ausência destes formou um "buraco". Então é natural pensar que alguns elétrons que estiverem passando por perto acabarão "caindo" nesses buracos, realizando o fenômeno chamado recombinação, que já falei anteriormente.

Agora, naquela região central, não há nem elétrons livres e nem lacunas, ou seja, não há nada para conduzir corrente elétrica naquela parte do diodo. Então a configuração do diodo é a parte N, com elétrons livres, a camada de depleção, sem portadores de carga, e a região P, que possui lacunas que se comportam como cargas positivas.

É interessante o resultado obtido com isso. Vamos fazer um pequeno exercício mental indispensável para quem quer realmente entender o funcionamento deste componente. Observe novamente a figura do diodo e imagine o que acontece quando colocamos um potencial positivo no lado P e outro negativo no lado N. As lacunas do lado P são empurradas (pela repulsão) em direção a camada de depleção, enquanto os elétrons livres do lado N também o são. Isso porque cargas iguais se repelem. Com isso a camada de depleção diminui. Se a diferença de potencial for suficiente para vencer a barreira da camada de depleção, o diodo irá entrar em condução, permitindo a livre passagem da corrente elétrica. Essa configuração de pólo positivo no lado P e negativo no lado N é chamada polarização direta. Vale a pena lembrar que  nos diodos de silício essa barreira corresponde a 0,7V. Nos diodos de germânio corresponde a 0,3V.

Agora imagine o que aconteceria se invertêssemos o diodo, ou seja, colocaremos agora o pólo positivo no lado N e o pólo negativo no lado P. Com isso as lacunas seriam atraídas pelo potencial negativo enquanto os elétrons seriam atraídos pelo potencial positivo. Dessa forma os portadores de carga (lacunas e elétrons) se afastariam da região central, aumentando assim a camada de depleção. Nessa configuração, chamada de polarização inversa, o diodo não conduz; ele entra em bloqueio, se comportando como uma chave aberta.


Podemos visualizar a ação do diodo através do gráfico acima, chamado de curva característica. Partindo de uma tensão nula (zero volts), vamos analisar o comportamento do componente. Conforme aumentamos positivamente a tensão, o diodo passa a conduzir pequenas correntes elétricas. Porém, quando atingimos a tensão exigida para transpor a camada de depleção (em geral 0,7V) o diodo passa a conduzir intensamente, mantendo para si 0,7V da tensão da fonte. Basicamente, para tensões acima daqueles 0,7V ele se comporta como um curto circuito.

Mas se aumentarmos negativamente a tensão, o diodo conduz apenas uma ínfima quantidade de corrente, que é chamada de corrente de fuga. Essa corrente é composta por uma corrente de fuga de superfície e também por uma corrente de saturação reversa. Prometo fazer um post a parte sobre elas, mas não se preocupe: na maioria das aplicações elas são desprezadas e considera-se o diodo reversamente polarizado como uma chave aberta, ou seja, que não conduz corrente alguma.

Porém, se a tensão reversa (a tensão "negativa") aumentar demais, ela irá acabar "rompendo" a camada de depleção. O valor dessa tensão limite é chamada tensão de ruptura do diodo. Quando ela é atingida ela provoca um efeito chamado "efeito de avalanche" e a partir desse ponto o diodo conduz intensamente mesmo estando reversamente polarizado. O valor da tensão de ruptura varia de diodo para diodo e, para conhecê-lo é necessário consultar o datasheet do componente. Vale também falar que existe um diodo especial feito para operar naquela "zona de ruptura", que é o chamado diodo zener. Ele é especialmente dopado para suportar correntes reversas sem se danificar, e com certeza o abordaremos futuramente.

Quanto a simbologia, o diodo é bastante simples! O diodo é representado conforme a figura abaixo. Há duas regiões, que são o anodo (e corresponde ao material tipo P) e o katodo (também chamado catodo, que corresponde a região tipo N). A condução, quando diretamente polarizado, se dá no sentido da seta do símbolo. No outro sentido, o diodo entra em bloqueio. Então, para conduzir, deve-se polarizá-lo com positivo no anodo e negativo no katodo.


E, essencialmente, era isso. Toda essa postagem pode ser resumida da seguinte maneira: O diodo é um componente que, para um lado conduz, e para o outro não! Mas se eu falasse só isso não teria graça, não concordam? Neste post abordamos o básico, arranhando de leve a superfície de um mundo novo que são os semicondutores. E as postagens seguintes certamente serão interessantes para o pessoal que gosta de eletrônica. Abraço e até a próxima...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Iluminação Ep. 1: O Começo


Hoje eu começo o que será uma série de postagem sobre o tema Iluminação. A ideia é abordar, com uma linguagem mais popular, desde os primórdios das técnicas de iluminação até a atual tecnologia dos LED's, que convenhamos, está na moda. Não sei quantas postagens serão, nem o quão espaçadas essas postagens serão e nem muito bem o conteúdo que elas terão. Estou me atirando meio "no escuro", mas garanto que elas sairão e acredito que o resultado final vá ficar interessante. Então que possamos começar logo!

A necessidade de iluminação é algo que sempre acompanhou o ser humano. Não somos seres com uma boa visão noturna, como as corujas, nem somos dotados de artifícios para nos localizarmos no escuro, como os morcegos. Então, tudo o que tínhamos era um cérebro criativo e uma incrível vontade de estender a luz do dia noite adentro. Com base nisso foram criadas inúmeras técnicas para criar luz. E talvez a mais primitiva, mas ainda muito útil em caso de necessidade, é a fogueira.


Temos que admitir que a descoberta do fogo (na verdade, a descoberta das técnicas de como controlá-lo) foi um feito notável para o "homem das cavernas". Vamos lembrar aquela chata aula de química! O que é necessário para haver fogo? São três coisas: ar (na verdade, o Oxigênio presente nele), calor e alguma coisa para queimar, é claro. Essa "alguma coisa" podia muito bem ser madeira, e o calor necessário para iniciar a fogueira poderia ser obtido pelo atrito entre pedaços da madeira. Ar... bem... ar havia em abundância, então eles não precisavam se preocupar muito com isso. Creio que a fogueira deve ter se tornado muito popular na época, pois fornecia luz, calor, um meio de preparar alimentos e proteção contra animais selvagens.

Mas você já parou para pensar o que o fogo é? Será que ele é uma espécie de gás, ou algo do tipo? Bem, na verdade o fogo é de fato uma mistura de gases em alta temperatura. Eles são obtidos através de uma reação química exotérmica, ou seja, uma reação que libera calor para o ambiente. Esses gases liberam também radiação eletromagnética nas faixas do infravermelho (que é um tipo de luz, porém nossos olhos não conseguem enxergar) e nas faixas visíveis. As últimas são as faixas que nossos olhos detectam como cores, que nesse caso é em geral o vermelho e o amarelo, mas depende do tipo de material queimado, entre outros fatores.

Então tá. Tínhamos a fogueira. Podíamos acendê-la e nos acomodar perto dela. Então começamos a tentar unir a comodidade da luz do fogo com a necessidade da locomoção noturna. Queríamos agora não somente luz e calor, mas uma fonte de luz e calor facilmente transportável. Então foram desenvolvidas as tochas, que permitiam, por exemplo, a caça em períodos noturnos. Esse também foi um fator importante na sobrevivência do ser humano. Além das aplicações bélicas do fogo, que não são tema para essas postagens.


E assim a humanidade começou sua longa história de amor com a iluminação artificial. Enquanto o Sol servia durante o dia, o homem queria estender os benefícios da luz durante a noite. E deu certo! E as técnicas de iluminação foram se desenvolvendo lado a lado com o ser humano, atendendo as suas mais diversas necessidades. E um breve relato desse caminho de evolução você pode acompanhar nesta série (por favor leitores, perdoem-me este trocadilho, não consegui resistir!) brilhante... Até a próxima! Abraço...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Analisando o KiCad


Olá a todos. Hoje vou dar uma dica super interessante para todos que gostam de eletrônica: é o software KiCad. Vamos então conhecer um pouco sobre seus recursos, suas vantagens e desvantagens.

CAD é a sigla para Computer-Aided Design, que traduzindo significa Projeto Assistido por Computador. Ou seja, a família CAD são softwares que auxiliam na elaboração de projetos com o uso de PC's. O KiCad especificamente faz projetos na área eletrônica. Com ele é possível executar todas as etapas do design de uma PCI, desde o desenho do esquema até a visualização 3D do projeto da placa. E o grande trunfo do KiCad é seu custo: zero!!!

Isso mesmo, você não leu errado. Por ser um software livre (open-source) qualquer um pode fazer download legal e gratuitamente e alterar seu código de funcionamento, conforme necessidades diversas. Há também o fato de ele ser constantemente atualizado, saindo uma versão nova por semestre, aproximadamente. A cada nova versão existem alguns novos recursos e a correção de pequenos erros, o que torna o software cada vez melhor.

O primeiro passo é criar um projeto, que funciona como se fosse uma pasta, onde todos os dados serão guardados. Depois de feito isso você pode começar desenhando o esquema elétrico do circuito. Aqui você conta com uma infinidade de componentes, CI's, conectores e outras coisas que eu ainda não explorei. Mas caso você não encontre o que procura, o KiCad ainda oferece a possibilidade de criar um módulo (como um CI, por exemplo) a partir da edição de um já existente. Depois de feito o esquema você pode inserir a referência dos componentes (por exemplo, R1, R2, C1, etc...), os seus valores (por exemplo, 220K, 15R, 2200uF). E para comprar os componentes, você não precisa ficar com papel e caneta na frente do monitor fazendo uma lista. Você pode mandar o KiCad fazer isso por você, gerando automaticamente uma lista que pode ser visualizada usando o Microsoft Excel, por exemplo. Esse exemplo é só uma das muitas funções que o KiCad possui na parte de elaboração de esquema elétrico.


Quanto a elaboração da placa propriamente dita, o KiCad também não fica para trás. Ele, além de contar com diversos componentes, conectores, tipos de encapsulamentos de CI's, etc, também permite a criação de um módulo. E, se você gerou um netlist (que significa "lista de nós" e é mais um recurso do programa) a partir do esquema do projeto, o próprio KiCad te indica onde fazer as ligações entre os componentes. Ele também permite você fazer trilhas em mais de uma camada de cobre, possibilitando, por exemplo, a criação de uma placa dupla-face, além de contar com inúmeros outros recursos que não teríamos espaço para mencionar aqui.


Com esse programa você terá a oportunidade de fazer projetos de forma muito mais organizada e eficiente. E se você ficou ansioso para baixar esse software clique aqui e veja um site onde você pode, além do KiCad, achar muitos outros programas úteis e gratuitos.

Por hoje era isso, então acho que vou encerrar por aqui. Até a próxima, se cuidem e estudem bastante. Abraço!!!

sábado, 10 de setembro de 2011

Enfim, Pronto!

Finalmente concluí o projeto do amplificador que tinha comentado algumas posts atrás. Foram nada menos que cinco tentativas até que a placa final estivesse pronta e funcionando. Durante essas cinco tentativas eu errei bastante. Imagine um erro passível de ser cometido: eu cometi! Acredito ter cometido até os que eram impossíveis de serem cometidos... Mas enfim, pronto!!! E neste post gostaria de comentar minhas experiências, meus erros, meus acertos e, claro, postar uma foto da minha querida placa.

O projeto era simples: um amplificador. Eletricamente falando não era complicado. Logo desconfiei que o desafio seria construir a placa e, para a minha surpresa, eu estava certo. E esse seria o meu único acerto durante um longo tempo nesse projeto. Já os erros...

Erro N° 1: Quando você fizer o desenho do layout da placa em um computador (ou até mesmo a mão) lembre-se que aquilo será construído na prática. Muitas vezes trilhas muito próximas ou ilhas muito pequenas ficam bonitas no desenho do projeto, mas inviabilizam a construção prática da mesma. Trilhas muito próximas são ideais para você errar e acabar ligando trilhas que não deveriam se tocar. Ilhas muito pequenas não permitem que você faça uma solda boa, fixando firmemente o componente na placa.

Erro N° 2: Para fazer a transferência do desenho do layout da folha para a placa eu usei uma técnica bastante simples. Eu imprimi (em papel couchê, pois isso facilita bastante posteriormente) o desenho das trilhas com uma impressora a laser (isso porque é necessário o toner). Depois coloquei o desenho do layout em contato com a placa e passei o ferro (é, o de passar roupa mesmo) em cima. O calor faz com que o toner seja transferido do papel para a placa. Porém lembre-se que, após passar o ferro, você não pode esperar o papel esfriar para tirá-lo da placa. Se você fizer isso você terá o toner grudado no papel e também na placa. Assim, quando você tentar tirar o papel da placa, ele irá grudar e estragar sua placa.

Erro N° 3: Pense no que seu circuito vai fazer. Se ele tiver conectores de saída (como saída de áudio) ou entrada (como alimentação), coloque-os em lugares acessíveis. Se você sabe que seu circuito vai esquentar, como é o caso de CI's amplificadores e, em alguns casos, reguladores de tensão, planeje o espaço necessário para os dissipadores de calor. Muitas vezes eles são esquecidos pelo iniciante, pois não aparecem no esquema elétrico.

Erro N° 4: Quando você for furar um dissipador de calor, que geralmente é de alumínio, não adianta ligar a furadeira no máximo e meter muita força. Para perfurar o alumínio o conta mais é o jeito. E o jeito é: baixa rotação e pouca força. Com isso você obtém um furo melhor e uma perfuração mais eficiente. Para obter baixa rotação, vá dando toques de leve no "gatilho" da furadeira. Para prender o dissipador, se possível, use uma morsa que o resultado é bastante satisfatório. Não se esqueça de fazer uma punção (pequeno furo feito com prego e martelo para guiar a broca) antes de começar a perfurar.

Erro N° 5: Planeje! Segundo o meu professor, o planejamento equivale a uma economia posterior de 30% em tempo e recursos, além de evitar algumas dores de cabeça. Um planejamento bem feito permite que você execute um trabalho de forma eficiente. Além de planejar, lembre de revisar. Quando for passar de uma etapa para outra (como, por exemplo, do esquema para o layout), certifique-se que a etapa anterior está certa. Isso evita que você ache no final do projeto algum errinho bobo, como a falta de uma ligação no esquema da placa.

Bem, dei alguns conselhos que espero que possam ser úteis para alguém. Foi muito legal, no fim das contas, ouvir um AC/DC do celular do meu amigo com o amplificador que eu projetei. Não diria felicidade, mas sim um sentimento de profunda satisfação.

Por fim, descobri que a elaboração e confecção de placas se assemelham muito mais a uma arte que a uma ciência. Há a escolha do material a ser usado, a escolha das técnicas e tudo isso envolve tanto conceitos objetivos, como economia de recursos, de espaço e organização, quanto subjetivos, como a estética da placa. Mas, a prática leva a perfeição, e embora esta primeira placa tenha ficado bastante insatisfatória (de qualquer forma, seria realmente uma surpresa eu ficar satisfeito com o resultado), eu aprendi muito para fazer um trabalho melhor no futuro. E abaixo está a foto do resultado final. Parece coisa do "Peludu" mas enfim... até a próxima. Abraço e se cuidem!!!


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Aprendendo da pior maneira

Agora são 3h30min da manhã e o que estou fazendo acordado? Adivinhem o que estou fazendo acordado. Estou consertando os meus erros durante a construção de um amplificador. Lá vamos nós de novo, desde o esquema até a construção da placa. Porém isso me ensina uma lição importante, que espero que todos aprendam...

Façam bem feito, para fazer uma vez só. Pois se você não fizer bem feito da primeira vez, será obrigado a ficar até as quatro da manhã fazendo tudo de novo...

Agora vou voltar ao trabalho para terminar e recuperar algumas horinhas miúdas de sono. Ahhhh sono, que antes era lixo, hoje é um luxo... E quando eu terminá-lo, talvez eu o poste aqui como um projetinho. Enquanto isso, de volta ao trabalho...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Uma Introdução aos Semicondutores



Olá a todos. Hoje falarei um pouco sobre semicondutores, que estão, sem dúvida, no coração da eletrônica moderna. Sem eles, muitas de nossas tecnologias não poderiam existir. Foram eles os responsáveis por alavancar o crescimento da indústria nessa área. Mas o que eles são? O que fazem? Como funcionam? Essas perguntas serão respondidas agora nesse post.

Na natureza encontramos diversos tipos de materiais. Alguns deles são condutores elétricos, como o cobre, a prata e o ouro. Outros materiais, como a madeira, são isolantes elétricos, impedindo a passagem de corrente por eles. Porém uma classificação de condutores/isolantes seria insuficiente para classificar todos os materiais, pois alguns deles são o que chamamos de semicondutores. Isso por que eles, de certa forma, são condutores e também isolantes, dependendo da forma como o manipulamos.

Mas o que torna um material um condutor? Vamos lembrar as aulas de química e pegar o caso do cobre, que é talvez o condutor mais conhecido. Ele possui, quando eletricamente neutro, 29 elétrons ao redor de seu núcleo. Esses elétrons se distribuem em camadas, sendo a última chamada camada de valência. Nesta última camada, o cobre possui apenas um elétron. Esta camada é a que está mais distante do núcleo atômico e, por isso, o elétron dessa camada é fracamente atraído pelo átomo. Como esta camada está incompleta, o átomo de cobre quer "se livrar" desse elétron, para ficar com esta última camada vazia. Dessa forma a camada de valência se tornará a camada anterior que está mais completa e, por isso, mais estável. Por isso esse elétron é facilmente arrancado do átomo, e se torna um elétron livre, que é o portador de carga da corrente elétrica.

Em um isolante a situação é diferente. Um gás nobre, por exemplo, possui sua última camada (de valência) completa. Por isso esse átomo não irá doar nem aceitar elétrons facilmente. Graças a isso ele é um ótimo isolante elétrico. É bom lembrar que em geral um átomo com camada de valência completa é aquele que possui oito elétrons na mesma. Quando a camada está estável, o átomo atrai os elétrons com bastante intensidade, impedindo sua remoção do átomo.

Mas existe um material chamado silício, que possui quatro elétrons na camada de valência. Ele é extraído da areia e consegue formar uma estrutura cristalina tetraédrica, pois se liga a outros átomos de silício através de uma ligação covalente, aquela onde se compartilha elétrons. Dessa forma, cada átomo de silício da estrutura se liga a outros quatro átomos, onde cada um compartilha um elétron. Quando puro, a estrutura é um isolante elétrico por não haver elétrons "sobrando" nem "faltando" nas ligações do cristal. Mas podemos adicionar outros elementos a ela para alterar suas propriedades elétricas. Esses elementos adicionados são chamados de impurezas e o processo de adição deles é conhecido por dopagem. A imagem abaixo representa a estrutura do cristal de silício em duas dimensões.




Existem dois tipos de dopagem. Uma cria cristais de silício tipo N e outra cria cristais de silício tipo P. No cristal tipo N são adicionadas impurezas conhecidas como doadoras. Isso porque os elementos usados na dopagem possuem cinco elétrons na camada de valência. Esses elementos são chamados de pentavalentes. Dessa forma, quando ele se liga a estrutura cristalina de silício, ele compartilha quatro desses elétrons com a estrutura e um fica "sobrando". Esse elétron se torna um elétron livre, que é um portador de carga. Os tipos de impurezas usadas na criação de cristais tipo N são, comumente, o Fósforo (P), Antimônio (Sb), Arsênico (As) e o Bismuto (Bi). É interessante falar que a proporção de átomos de impureza é de, normalmente, 1 parte em 10 milhões. Também vale ressaltar que adicionar essas impurezas não torna o cristal carregado eletricamente, pois a quantidade de cargas negativas (elétrons) continua igual a das cargas positivas (prótons). O que ocorre é que existem elétrons que não fazem parte da ligação covalente e, por isso, possuem maior liberdade para se movimentar.



Por outro lado, existe a dopagem que cria cristais tipo P. Nesse caso os elementos de impureza possuem apenas 3 elétrons na camada de valência. São comumente usados como impurezas o Boro (B), Alumínio (Al), Gálio (Ga), Índio (In) e Tálio (Tl). Como na ligação covalente da estrutura se ligam 4 elétrons, acaba ficando um "buraco", que é comumente denominado lacuna. Um ponto interessante de ser observado é que essa ausência de carga negativa se comporta como fosse uma carga positiva, sendo inclusive um portador de carga, conduzindo corrente elétrica. A essas impurezas trivalentes se dá o nome de impurezas aceitadoras, pois elas são passíveis de aceitar um elétron, devido a presença da lacuna.



Tanto um cristal "P" quanto um cristal "N" se comportam como condutores, pois ambos possuem portadores de carga livre. No caso do cristal tipo "N" os portadores são os elétrons, enquanto no cristal tipo "P" é a ausência de elétrons, ou seja, as lacunas. Um cristal de silício puro é chamado semicondutor intrínseco, enquanto o cristal já dopado é conhecido por semicondutor extrínseco. Outros materiais semicondutores, além do silício, são o germânio e o carbono. Todos os citados possuem a característica semicondutora, que são os 4 elétrons na camada de valência.



Porém isso é somente o começo da nossa jornada no estudo dos semicondutores. Ainda temos que estudar o que ocorre quando juntamos um cristal tipo P com outro tipo N, obtendo a configuração básica de um diodo. Porém deixaremos isso para outra ocasião. Até lá continuem estudando muito, que eu farei o mesmo. Abraço e até a próxima!