sexta-feira, 25 de março de 2011

Resistores: Uma Visão Básica


Quem já abriu algum aparelho ou viu alguma placa já deve ter visto o carinha ali de cima. Ele é o componente eletrônico mais básico e, por isso, está presente em praticamente todos os circuitos que encontramos. Mas o que ele faz? Como ele faz? E como fazem ele? Este é o tema do post dessa semana.

O resistor é um bipolo passivo que é utilizado para apresentar resistência elétrica entre dois pontos de um circuito. Por apresentar resistência ele pode limitar a quantidade de corrente que passa por ele em uma determinada tensão, transformando energia elétrica em térmica (calor). Porém, o resistor só consegue dissipar uma certa quantidade de calor sem se danificar (queimar). A quantidade de calor que pode ser dissipada depende da sua superfície de contato com o ar, logo, quanto maior o resistor, mais potência ele pode dissipar.

O resistor é geralmente construído por materiais que obedecem a 1ª Lei de Ohm. São muito comuns resistores de carbono (grafite), ligas como o constantan e a manganina e até mesmo metais, como no caso dos resistores de fio. Os resistores mais cotidianos na eletrônica são os de filme de carvão, por isso, vamos falar um pouco sobre sua construção. Eles são feitos a partir de um pequeno cilindro de porcelana, sobre o quel é depositada uma fina camada de carvão. Em seguida são feitos sulcos helicoidais (em espiral) na superfície do carvão; a distância entre esses sulcos e sua profundidade determinam seu valor de resistência. Então, são colocados os terminais do componente e, por fim, é aplicada uma resina isolante que cobre o resistor onde são feitas as faixas coloridas conforme o código de cores, que indica o valor de sua resistência.

Mas por que usar um código de cores, ao invés de escrever seu valor de resistência? Bem, antigamente o valor da resistência era diretamente escrita no corpo do componente. Porém dois inconvenientes mudaram a situação. O primeiro era que, ao ficar velho, muitas vezes o valor do resistor se perdia, o que dificultava sua troca em caso de problemas. O segundo era que, conforme o avanço da eletrônica, os aparelhos (e seus componentes) diminuiram muito de tamanho. Graças a isso ficou inviável escrever o valor da resistência e, por isso, adotou-se um código padrão de cores.

Os tipos mais comuns de resistores são:
* Filme de carvão: Apresentam determinada resistência, com tolerância entre 5% e 10% no valor nominal, e geralmente são para potências de até 2W. Eles possuem 4 anéis coloridos.
* De precisão: Semelhantes aos de filme de carvão, mas sua tolerância é entre 1% e 2% no valor nominal. Também são geralmente para potências menores de 2W. Estes possuem 5 anéis coloridos.
(Obs.: Existem resistores de filme de carvão e de precisão com potência nominal maior que 2W, porém é mais comum encontrar resistores deste tipo para potências menores que 2W.)
* Resistores de fio: Geralmente feitos com um arame interno de níquel-cromo. Eles apresentam grande precisão e suportam uma potência maior que os de filme de carvão. Pelo seu modo de fabricação (enrolamento de fio) eles não são usados em circuitos de alta frequência. Alguns resistores de fio suportam potências de 2W até dúzias de Watts. O resistor de chuveiro é um resistor de fio robusto que pode suportar uma potência muito alta, de 4500W ou até mesmo mais.


A figura acima mostra dois modos de representar resistores em esquemas elétricos/eletrônicos, sendo o segundo modo correto segundo a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Essa é a representação de resistores de valores fixos. A representação de resistores variáveis estão nas figuras abaixo. A primeira imagem é de um potenciômetro, a segunda de um trimpot, ambas de acordo com as normas da ABNT.


Os potenciômetros e trimots nada mais são que resistores onde podemos definir o valor de resistência entre dois terminais. Por exemplo, em um potenciômetro de 10K, a resistência entre os terminais das extremidades tem um valor ôhmico fixo e máximo de 10 quilo ohms, enquanto o valor da resistência entre um terminal da extremidade e o do meio é ajustável em um valor entre 0 e 10K. A figura abaixo mostra um potenciômetro e um trimpot, respectivamente.

No caso do potenciômetro o ajuste é feito pelo giro do botão. Ele é usado para mudanças frequentes, como um botão de volume onde constantemente mexemos. O trimpot possui mais precisão que o potenciômetro e a variação da resistência é dada pelo aperto do parafuso. Por isso, percebemos que o seu uso não é para alterações frequentes. Ele é mais usado para ser ajustado em uma resistência, colocado no circuito e não mais alterado.

Para terminar, falaremos um pouco mais sobre o código de cores. Nos resistores de filme de carvão e de precisão são feitas 4 ou 5 faixas coloridas que indicam o valor da resistência. Nos resistores de 4 faixas (filme de carvão), as duas primeiras indicam os algarismos, a terceira o multiplicador e a última indica a tolerância. Nos resistores de 5 faixas (de precisão) as três primeiras indicam os algarismos, a quarta indica o multiplicador e a última a tolerância. Abaixo segue a tabela de cores, com o valor numérico, valor de multiplicador e de tolerância.


Bom, agora você já sabe o que é e como são fabricados os resistores. Conhece também alguns tipos e como reconhecê-los através do código de cores. É incrível perceber que este pequeno componente, com toda sua simplicidade, está por trás de tudo o que é eletrônico. Tenham uma boa semana, um abraço e até a próxima!!!

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