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domingo, 25 de fevereiro de 2018

7 anos de blog e 500.000 visualizações!!!



Olá a todos.

Com um pouco de atraso, estou fazendo esse post comemorativo aos 7 anos de blog! No dia 02 de fevereiro de 2011 iniciei esse blog e, de lá para cá, muita coisa aconteceu. Tem sido bom poder escrever sobre parte dessas coisas aqui.

Ainda também em tom comemorativo, foi legal ver que o blog atingiu meio milhão de visualizações nesse tempo todo. Agradeço a todos que seguem ou que, de vez em quando, acessam.

No momento estou dando um curso de eletrônica na empresa em que trabalho. Serão 7 encontros de 3 horas cada. Vamos abordar o tema de amplificadores, desde os componentes e seu funcionamento, até desenho e confecção de placas. Acho que vai ser bem legal e eu vou postar parte do material aqui.

De resto, forte abraço e vamos continuar estudando muito.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Winter Challenge XIII

   Olá a todos! Fazia tempo que não postava nada devido ao (como sempre) estressante final de semestre. Inclusive, estou neste momento em função de uma das atividades de final de semestre: a participação na competição de batalha de robôs Winter Challenge, da RoboCore. E a história de como vim parar há mais de 1.000 km de casa é o tema do post de hoje.

Começa uma aventura

   Tudo começou com a matrícula na disciplina de Projeto Integrador Avançado. Essa é uma disciplina sem ementa definida, em que ficamos a mercê das ideias do professor, que propôs que construíssemos um robô de batalha. Tanto que as primeiras duas aulas foram assistir vídeos no YouTube sobre competições nacionais e internacionais.

   A ideia inicial era dividir a turma em 2 grupos, que construiriam seus robôs e competiriam entre si. Porém, por ser uma turma pequena (apenas 7 alunos), sugerimos construir um único projeto. O professor concordou, contanto que competíssemos em algum evento para testarmos nosso projeto.

   Concordamos meio incrédulos de que isso fosse de fato acontecer. Achamos inicialmente que apenas entregar o projeto seria o suficiente para convencer o professor a nos aprovar naquela matéria. Mas, durante o semetre, ficamos sabendo de uma competição de robôs, chamada Winter Challenge.

A Winter Challenge


   A Winter Challenge é uma competição anual organizada pela RoboCore. A RoboCore, para quem não conhece (assim como eu não conhecia), é uma loja especializada em robótica. Eles tem tanto kits didáticos, com arduínos e sensores, até motores e caixas de redução profissionais (e caras) para robôs de batalha que competem em nível internacional!

   A Winter Challenge está em sua décima terceira edição e conta com as tradicionais batalhas de robôs, além de competições de robôs seguidores de linha, de sumô de robôs (tanto rádio controlados quanto autônomos), hockey de robôs e com trekking de robôs.

   Nas batalhas de robôs há ainda a divisão por categorias de peso. Nesse evento há as categorias Antweight (até 454 g), Beetleweight (até 1,36 kg), Hobbyweight (até 5,44 kg), Featherweight (nossa categoria, até 13,6 kg) e Lightweight (até 27,2 kg).

   O evento é gigante. Muito legal de assistir e participar. Há muitas equipes e todo mundo se ajuda, apesar de serem competidores entre si. O evento ocorre em São Caetano do Sul - SP, no Instituto Mauá de Tecnologia.

Nosso Robô


   Nossa turma escolheu a categoria de peso featherweight (até 13,6 kg) e começamos a trabalhar no robô. Os primeiros passos foram a escolha do nome da equipe e do robô. Nossa equipe se chama Galera da Malha Fechada, visto que a disciplina roda dentro da engenharia de controle e automação. O nome do nosso robô é Caveira. 

   Como cada aluno da turma trabalhava em uma empresa diferente, conseguimos juntar bastante material gratuitamente. Nosso rádio controle é um Futaba emprestado pelo professor, que gosta de aeromodelismo. Os motores foram o que encontramos na universidade. Nós utilizamos 2 baterias de 12 V de parafusadeira em paralelo, doadas por um colega junto com um carregador para elas. A estrutura mecânica, feita em alumínio (não me perguntem qual liga que eu não sei), foi construída por um colega com acesso a tornos na empresa dele. As rodas foram usinadas em alumínio e engastadas em um rolamento pelo mesmo colega. O driver dos motores de direção foram comprados por R$ 90,00. Eu cedi um arduíno uno, juntei a eletrônica e programei junto com o rádio. Construí também um driver de ponte H com relé para o motor da arma, cujo sentido de rotação podia ser controlado pelo controle remoto. Tudo foi preso com dupla-face, enforca-gatos e espuma de PU. Dessa mistura surgia o primeiro robô de batalha da Universidade de Caxias do Sul: o Caveira.

1° Dia de Competição


   Nosso objetivo principal era aprender. Sabíamos que não tínhamos um robô competitivo, mas também não sabíamos muita coisa de qualquer jeito. Por isso definimos que o maior resultado disso seria o aprendizado para as próximas edições.
   Com esse pensamento em mente aguentei uma fila de três horas, muito tempo embaixo de sol, carregando cerca de 15 kg entre robô e ferramentas. Mas, durante esse tempo de fila, algumas pessoas vieram falar comigo. Coincidentemente eles eram o pessoal da equipe GaudérioBotz, de Santa Maria (o que me faz pensar que todas as vezes que saí do estado para algum evento de engenharia, sempre os encontro por lá). Eles tem mais experiência (estão participando pela 5ª vez), e foram muito receptivos. Explicaram vários detalhes sobre construção de robôs, que foram mais fáceis de entender devido a compatibilidade de sotaques.

   Passada a fila, me inscrevi com a melhor foto de crachá possível. Na inspeção de segurança reprovamos em quatro quesitos: suspensão do robô, trava da arma, luz indicativa e chave de segurança.

   A suspenção do robô é uma regra que diz que o robô, enquanto estiver nos boxes, deve estar suspenso, ou seja, suas rodas não devem tocar a mesa. Isso serve para que, em caso de pane que ligue as rodas, o robô não saia atropelando os outros. Resolvemos isso com pedaço de madeira sob o robô.

   A trava da arma é uma regra que diz que toda a arma deve possuir uma trava, de forma que em caso de pane que ligue a arma, a mesma não machuque ninguém acidentalmente. Resolvemos isso colocando uma chave inglesa no eixo de rotação da nossa arma.

   A luz indicativa é uma regra que diz que os robôs devem ter uma luz bem visível indicando o funcionamento. Resolvemos isso catando com outras equipes LED, resistor e pedaços de fios. Soldamos tudo conectando direto na bateria de alimentação. Problema resolvido.

   A última regra diz respeito a necessidade de haver uma chave que desligue toda a alimentação do robô. Isso para possibilitar um desligamento rápido de todos os sistemas. O pessoal de Santa Maria doou conectores XT60, que implementamos como chave de bateria, atendendo o último quesito.

   Devo agradecer também ao pessoal da Bodetronic, que estava sentados na mesa de frente para a nossa, e emprestaram desde estanhador até silver tape (que fita maravilhosa, nunca tinha visto aquilo pessoalmente).

   Passada a inspeção, saíram as chaves da competição. Nossa primeira luta era justamente contra o pessoal de Santa Maria!

2° Dia de Competição




   No segundo dia deixamos nosso robô pronto para a "competição". Fomos alertados que nossas rodas não iriam ter aderência no piso metálico da arena. Por isso, tentamos aplicar fita de termofusão para "emborrachar" nossas rodas de tração. Incusive o próprio pessoal de Santa Maria emprestou a fita e ajudou a aplicar.

   Mas na hora, não rolou. Mesmo com a fita não havia aderência suficiente. O robô patinava, não sendo rápido o suficiente para evadir os ataques do Xucro (robô da GaudérioBotz). Fomos arremessados múltiplas vezes contra a arena, até que nossa roda engastada no rolamento se soltou, paralizando nosso robô.

Restante da Competição


   Com o robô não competitivo danificado, e sem ferramentas para repará-lo, sabíamos que ali acabava nossa participação. Mas ainda havia muito o que aprender. Por isso assistimos muitas lutas e conversamos com muitas equipes. Inclusive demos nossa roda danificada para a GaudérioBotz como troféu e símbolo de agradecimento. Ganhamos um pedaço do robô deles também, mas já está guardado na mala, por isso não colocarei fotos aqui.

Algumas das coisas que aprendemos com tudo isso:
  • Um robô featherweight competitivo custa entre R$ 5.000,00 e R$ 10.000,00;
  • As rodas do pessoal normalmente são encapadas com borracha vulcanizada, o que garante maior aderência ao piso da arena;
  • O pessoal usa muita bateria de LiPo, pela capacidade de fornecer altas correntes;
  • Mas as baterias de LiPo são cheias de detalhes, e explodem (vi isso acontecer);
  • Os motores dos robôs, de tração, no arranque, consomem cerca de 150 A cada;
  • Os robôs normalmente são bastante compactos. Dimensionalmente, nosso robô era bem maior que os adversários;
  • Ninguém usa placa eletrônica central, como nós usamos o arduíno. Eles conectam o receptor direto em um driver de motor apropriado;
  • Robôs rampa com boa tração são bastante perigosos;
  • Muito de uma batalha depende da pilotagem. Bons pilotos fazem muita diferença;
   Com isso, fomos bem sucedidos em nossa empreitada, pois vamos levar muita experiência para nossa equipe. E que no próximo ano sejamos, além de tudo, perigosos.

   Espero que tenham gostado desse post. Até a próxima!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

400000 Visualizações. ^ - ^

Olá a todos. Primeiro post de 2017 para comemorar a marca de 400 mil visualizações. Fico feliz com isso. Alguns pontos que me chamaram a atenção:

1) A velocidade com que isso aconteceu: Atingimos a marca de 200 mil visualizações em agosto de 2015, mais de 4 anos após o início do blog. As outras 200 mil visualizações chegaram bem mais rápido;

2) A quantidade de posts de 2016: Há uma tendência de diminuir a quantidade de posts mas, em 2016, isso se reverteu. Houve um post a mais que em 2015. Claro que não há como eu voltar ao ritmo de postagem de 2011 - 2012, mas nem quero. Estou gostando muito das postagens atuais. A lém disso, a quantidade de postagens não vai aumentar significativamente este ano, visto que prevejo um 2017 atarefado. Mas, de vez em quando, vai ter algo novo por aqui.

3) A quantidade de seguidores: Tenho 52 seguidores no blog. Que coisa, não? Acho uma quantidade grande, visto que o assunto é bastante específico.

Enfim, quis ser breve. Era isso! o/

domingo, 15 de maio de 2016

300.000 Visualizações do Blog!



Olá a todos. Esse post é simplesmente para comemorar a marca de trezentas mil visualizações neste blog! \o/

Nestes pouco mais de 5 anos de blog escrevi sobre eletrônica, matemática e física. Me arrisquei e escrevi um pouco sobre computação e biografias de cientistas importantes. Fiz sucesso resolvendo algumas questões e ousei publicar meros devaneios provenientes da minha cabeça. Nesse meio tempo muitas coisas aconteciam na minha vida pessoal. Comecei a graduação em engenharia de controle e automação, iniciei minha carreira profissional, me envolvi em relacionamentos, fiz pesquisa científica, publiquei um artigo e o apresentei em congresso. Viajei, ri, chorei, achei que não ia dar e achei que já estava bom. Olhando para trás vejo quanta coisa foi conquistada e me orgulho da trajetória que estou trilhando.

Porém o blog ficou em segundo plano. Embora me esforce para responder os comentários e as dúvidas por e-mail, a frequência de publicação diminuiu. Isso foi inevitável, mas não me desculpo por isso. Espero que entendam que isso é necessário para que outras coisas venham, coisas melhores.

Portanto não vou prometer aumentar a frequência de posts ou expandir o conteúdo. O que vou prometer é manter o blog por aqui e sem propaganda. Vou tentar continuar respondendo os comentários e as dúvidas por e-mail. E sempre que tiver vontade, quando sobrar tempo e me bater aquela saudade de estar neste ambiente virtual, vou escrever. Sobre o que? Sobre eletrônica, matemática e física, sobre pessoas que eu admiro e meus devaneios!

Agradeço a todos que leem este blog e espero ter ajudado vocês de alguma forma.

Até a próxima e nunca parem de aprender!!!

domingo, 6 de março de 2016

Desabafo de um Estudante de Engenharia

Olá pessoas. Mais uma da série "publicando o que estava nos rascunhos a mais de um ano". Esse post seria de dicas para estudantes de engenharia não sofrerem tanto durante a graduação. Mas o tópico foi alterado por dois motivos:

O primeiro é a falta de competência minha para aconselhar como os outros devem estudar. Não acho que existe fórmula pronta e universal. Cada um deve buscar adequar um método ao seu estilo e sua realidade. Nem tudo que funciona para uma pessoa vai funcionar para as outras.

O segundo motivo é que há um tema que eu gostaria de abordar muito mais, e que me deixa indignado. E esse tema é a arrogância dos estudantes e profissionais de algumas áreas. Eu vou falar aqui majoritariamente da engenharia, mas sabemos que essas atitudes são praticadas por estudantes de outros cursos, comumente direito e medicina.

Peço que entendam que eu não estou generalizando, mas apenas expressando minha opinião. Os comentários estão democraticamente abertos a qualquer um que queira expressar uma opinião diferente da minha.

Engenharia é o curso mais difícil, etc e tal 

No facebook, na página "Engenharia Depressão" vemos muitas piadas envolvendo a falta de vida social dos estudantes de engenharia como, por exemplo 'sonhava em fazer engenharia, hoje não durmo mais', etc... A realidade é que os futuros engenheiros gostam de dizer o quanto o curso de engenharia é difícil.

O conceito de difícil é difícil de definir. A verdade é que o curso de engenharia requer raciocínio lógico e um fundamento matemático e físico muito sólido. Sim, é necessário estudar muita matemática se comparado com o ensino médio e, como eu vi na revista Veja uma vez, as pesquisas indicam que somente 11% dos alunos saem do ensino médio sabendo o que deveriam saber da matéria. 

Então existe esse argumento de que engenharia pode ser um pouco difícil por que, em média, o aluno não ingressa suficientemente preparado. Mas a engenharia é excessivamente difícil? Não. É um curso superior que exige dedicação tanto quanto outros cursos superiores.

Porém cursos como administração, design e etc são motivos de piadas nas rodas de estudantes de engenharia. Categorizados como cursos fáceis são ridicularizados tanto por alunos quanto por alguns professores. Frases do tipo: "Se você não consegue entender a matéria, tenta fazer um curso mais fácil, tipo administração" são bordões comuns no ambiente acadêmico da engenharia.

Mas é claro que isso, por si só, não satisfaz o ego desses indivíduos. Ainda é preciso mais. Cursos de engenharia mais tradicionais, como civil, elétrica e mecânica ridicularizam os cursos mais recentes como alimentos. Cursos de engenharia com maior carga matemática (e.g. elétrica e controle) ridicularizam cursos de engenharia com menor carga matemática.

A esse tipo de indivíduo recomendo que vá buscar um auxílio psicológico. Ah, esqueci, eles menosprezam os psicólogos também. Pois que vivam na mediocridade deles.

Trotes

Quero iniciar pontuando algumas coisas:

1) Me orgulho muito dos cursos de engenharia da UCS. Até onde sei não tem trote em nenhum curso de engenharia. Eu não sofri trote quando entrei e agora como veterano nunca ouvi falar desse tipo de prática.

2) Esse assunto é ideal para desabafar por escrito. Quem já conversou presencialmente comigo sobre esse tema sabe que eu perco a calma. Eu não consigo argumentar ponderadamente sobre esse tema pois ele me causa uma indignação no sentido literal do termo (sentimento de cólera ou de desprezo experimentado diante de indignidade, injustiça, afronta; repulsa, revolta).

Dito isso, vamos adiante.

Inadmissível.

Essa é minha opinião sobre os trotes. Mas preciso desenvolver minha linha de pensamento, então vamos começar pelo que eu entendo como trote.

Eu presenciei ao vivo apenas um trote na minha vida, do curso de direito da UCS, que relatarei nas próximas linhas.

Os veteranos obrigam os novatos a ficarem ajoelhados na frente do bloco de direito. O locutor dos veteranos grita frases que os calouros devem repetir. Frases que me causam repulsa, que nada tem a ver com o ambiente acadêmico. Frases com temática de álcool, festas e subordinação para com os veteranos. Enquanto isso uma pessoa é encarregada de monitorar os calouros. Se algum deles tenta se levantar, ou se desequilibra, recebe aos gritos ordem para voltar a posição.

"Juro acreditar no direito como a melhor forma para a convivência humana. Juro fazer da justiça uma consequência normal e lógica do direito. Juro confiar na paz como resultado final da justiça. E, acima de tudo, juro defender a liberdade, pois sem ela não há direito que sobreviva, muito menos justiça, e nunca haverá paz..."

Esse é um trecho do juramento do curso de direito que achei na internet, em um PDF de uma universidade do Espírito Santo. Não é coerente com as atitudes descritas.

Não é raro abrir um site de notícias do Brasil e ver uma matéria dessas pelo menos uma vez ao ano:

http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/viver-sp/blog/2014/02/22/morte-de-calouro-da-usp-completa-15-anos/

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/04/vivi-os-piores-momentos-da-minha-vida-diz-jovem-sobre-trotes.html

Pois vejamos o juramento da medicina nos diz:

"...
Eu manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão médica;
Meus colegas serão minhas irmãs e irmãos;
Eu não permitirei que concepções de idade, doença ou deficiência, religião, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, condição social ou qualquer outro fator intervenham entre o meu dever e meus pacientes;
Eu manterei o máximo respeito pela vida humana;
Eu não usarei meu conhecimento médico para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;
Eu faço estas promessas solenemente, livremente e pela minha honra"

Você enxerga concordância entre essas palavras e as notícias mostradas anteriormente? Não consegue, não é? Pois não existe concordância. E por favor, não me entendam errado. Não estou dizendo que apenas os cursos com juramentos bonitinhos precisam abolir os trotes. Os trotes devem ser erradicados do ambiente acadêmico, onde estão enraizados em instituições de respeito do nosso país.

Quero ainda combater outro argumento: Mas o trote é voluntário, participa apenas quem quer.

Deixe-me expor a situação tal como ela é. O indivíduo acaba de sair do ensino médio e ingressa no ensino superior. Ele agora está inserido em um ambiente novo e cercado de pessoas desconhecidas. É natural do ser humano querer socializar e interagir com os outros. Tanto pessoas na mesma situação dela (outros novatos) quanto com as pessoas que estão em uma posição academicamente mais elevada, como os veteranos.

O problema é que os veteranos exigem como moeda de troca para a socialização a submissão daqueles indivíduos as suas práticas sádicas.

O calouro percebe então que o início de sua vida acadêmica não será tão acolhedor se ele não participar do trote. Ele percebe que sua relação com os colegas mais experientes não será tão agradável se ele não participar do trote. Isso não é uma escolha livre. Houve uma pressão externa nesse indivíduo.

O indivíduo então se submete ao trote contra sua vontade (embora algumas vezes ele mesmo acredite que seja por livre escolha) e, futuramente, aplica essa pressão nos calouros da vez.

Cabe as instituições reprimirem veementemente esse tipo de prática. As faculdades e universidade precisam entender que por trás do bom profissional é necessário um bom ser humano. E alguém que joga um rapaz de 22 anos, que não sabe nadar, dentro de uma piscina, contra sua vontade, não é um bom ser humano.

Chega de escrever por hoje.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

INDUSCON 2014, Blog 2015


   Olá a todos. Quanto tempo que não posto nada. Desde setembro, se não me engano. Enfim, esse é a parte ruim de fazer engenharia em paralelo com mais um monte de outras coisas. Mas, agora, no fim do ano, resolvi fazer um post para falar sobre coisas gerais.

IEEE INDUSCON 2014 - XI International Conference on Industry Applications

   A primeira delas é que estou na INDUSCON. Como já falei aqui, eu fiz pesquisa no ano passado. Então, com o resultado do trabalho submetemos um artigo que foi aceito e agora está sendo representado na INDUSCON. O nome do congresso é um acrônimo para International Conference on Industry Applications e está na sua 11ª edição, que está sendo realizada em Juíz de Fora, MG. A INDUSCON é uma conferência ligada a IEEE (Institute of Eletrical and Electronics Engineers), a maior associação profissional do mundo em número de inscritos, com aproximadamente 500 mil profissionais cadastrados como membros. Essa oportunidade de estar aqui é muito legal, já que o máximo que tinha saído do meu estado (RS) desde sempre foi para Chapecó (SC). Só que Chapecó é praticamente divisa com RS. Então, de certa forma, é como se eu nunca tivesse saído do estado.

   Dessa vez foi diferente, peguei um ônibus à Porto Alegre, depois um avião à São Paulo onde fiz conexão para o Rio de Janeiro para viajar 3 horas de ônibus para Minas Gerais. Me hospedei no hotel e estou aproveitando a conferência. É realmente um ambiente muito diferente. Eu sou técnico em eletrônica e graduando em engenharia de controle e automação, mas posso assegurar tranquilamente que tenho a menor escolaridade da conferência. Serão 3 dias completos de palestras e apresentação de pôsteres com mestres e doutores em engenharia de todo o Brasil. Com destaque especial para o sempre fortíssimo pessoal do GEPOC (Grupo de Eletrônica de Potência e Controle) de Santa Maria. Grupo do qual já conhecia um integrante e passei a conhecer alguns outros na conferência. Realmente o trabalho que eles executam na UFSM é muito bom e eles merecem a fama que conquistaram.

   Já apresentei meu pôster, consegui minha dose de elogios, mas a maior vitória é estar em um lugar onde só se tem a aprender. Também conheci muita gente legal, e reencontrei algumas pessoas também. Agora resta aguardar a publicação do artigo!


FUTURO DO BLOG PARA 2015

   Pois bem! O ano de 2014 está quase acabando e, por consequência, 2015 está quase começando. Eu não vou prometer constância nas publicações desse blog, devido aos inúmeros compromissos que assumi. Pensei inclusive em encerrar as atividades do blog. Porém me decidi pelo contrário, devido ao fato de já haver muito conteúdo bom publicado aqui.

   Quando o blog começou em... fevereiro de 2012 eu estava iniciando o curso técnico. E adorava este blog. Nessa época eu cursava o terceiro ano do ensino médio no turno da manhã e acordava um pouco antes para publicar neste blog três vezes por semana. De lá pra cá acabei o ensino médio, comecei a graduação, comecei a trabalhar, terminei o curso técnico, comecei a fazer pesquisa e isso tudo contribuiu para que o blog ficasse negligenciado. C'est la vie.

   Não vou deletar o blog até por um motivo sentimental. Ele me acompanha durante um longo tempo e quero, daqui muito mais tempo, poder olhar pra trás e ver o quanto eu evolui. E o blog é um registro escrito do quanto evolui e um registro que me permite ajudar outras pessoas a evoluir também.

   Embora o blog esteja confirmado para 2015, a frequência de postagem provavelmente será baixa. Quero terminar a série de posts dobre programação na linguagem C e começar alguma coisa sobre microcontroladores. Também estarei disponível para sanar dúvidas pelos comentários e, se alguém tiver uma sugestão de post, posso escrevê-lo também (já que ter um feedback serve de motivação para o processo criativo).

   Tendo dito isso, encerro esse post. Abraço a todos. Bom fim de ano. Boas festas e um próspero ano novo à todos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

200000 Visualizações. lol

O blog chegou a 200k visualizações. Fico feliz com isso! Infelizmente meu computador estragou recentemente, mas assim que eu superar esse contra tempo voltaremos com o ritmo usual de postagem, voltando com a série de programação. Temos ainda algumas coisas para ver sobre esse tema, e depois teremos um novo leque de possibilidades para explorar.

Abraço a todos que leem e, principalmente, que seguem esse blog. Muito obrigado.
Rumo a 300k visualizações!
*-*

domingo, 10 de agosto de 2014

Teoria vs Prática

   Olá a todos. Hoje vou falar e dar minha opinião sobre uma discussão sem fim que é: será que os currículos dos cursos de graduação são muito teóricos? E para começar eu quero abordar uma outra pergunta que está relacionada: o que é mais importante: a teoria ou a prática?

   Arrisco dizer que o que vale mais seja sempre os resultado práticos. E essas são palavras saídas dos dedos de um teórico irremediável que sou. Mas independente de se trabalhar em empresa, pesquisa ou até mesmo como professor, o que importa é o resultado prático. Se você trabalha em empresa, o resultado será um projeto bem feito, robusto e com qualidade. Para quem trabalha na pesquisa o resultado pode ser uma ideia diferente e a redação de um bom artigo sobre ela. Caso você seja professor seu resultado é fazer com que seus alunos compreendam a disciplina e saiam dela com um conhecimento maior.

   O resultado prático, além de ser o que importa, é também o que é visto. Quando alguém nos mostra algo, a primeira coisa que vemos é o que está feito. Não vemos o caminho trilhado para aquilo ser feito. No caso do projetista não vemos se ele fez contas ou não para implementar aquele projeto, ou se o pesquisador estudou ou não para chegar na ideia apresentada, ou se o professor preparou ou não as aulas para serem claras.

   Uma vez que o que importa e o que vemos são resultados práticos, do que importa a teoria? Por que não cortar carga teórica dos cursos de graduação e aumentar o enfoque na prática? Pois  bem, para argumentar sobre isso vou me basear no meu curso de graduação em engenharia. Não sei o quanto esse problema impacta  outros cursos de graduação.

   O currículo contém disciplinas teóricas como matemática e física pois aquilo é esperado de um engenheiro. É pré requisito para o título de engenheiro um conhecimento nessas áreas, mesmo que ele não trabalhe com isso no dia a dia. E o conhecimento teórico é fundamental quando se projeta algo que nunca foi feito. Quando você está fazendo algo que já foi feito e com bases bem conhecidas, é comum utilizar o senso comum e trabalhar por tentativa e erro. Nesse caso talvez essa técnica apresente um melhor custo-benefício do que sentar, calcular e depois implementar. Um exemplo bem básico disso é ligar um LED em uma bateria de 12V. Enquanto alguém sentar para calcular a queda de tensão do LED e a corrente necessária para acendê-lo eu já coloquei um resistor de 1K e o LED já está brilhando. Nesse caso ligar um LED é algo conhecido que não necessita cálculo.

   Porém, quanto mais um projeto sai do senso comum maior será a relevância da teoria. Quando alguém precisa fazer algo que nunca foi feito, não há nada anterior no que se basear. E nesse caso se recorre a teoria. E existem exemplos disso. Quando os EUA precisaram construir a primeira bomba nuclear, eles reuniram um grupo de excelentes físicos e pesquisadores. Pessoas que estavam na fronteira da teoria nuclear. Hoje em dia, após a criação das bombas nucleares, diversos países relativamente pequenos as possuem (coisa realmente preocupante). Dizem até que bomba nuclear possui uma fabricação quase "caseira" nos dias de hoje (outro fato preocupante). Mas se construí-la é algo "simples", por que os Estados Unidos recrutaram seus melhores cientistas para fazê-la? Por que até aquele momento isso nunca tinha sido feito.

   Se você procurar qualquer coisa grandiosa já feita, ela contou com o apoio de cientistas que dominavam a teoria. Você acha que a NASA envia sondas espaciais para o espaço sem levar em conta modelos teóricos e matemáticos? Conforme a complexidade de um projeto aumenta, seu custo aumenta e seu nível de "novidade" aumenta, a técnica de tentativa e erro se torna inviável e, nesse caso, a teoria adquire um espaço importante.

   Mas nesse momento alguém poderia dizer: "mas eu não vou construir bombas e nem trabalhar na NASA. Por que preciso de tanta teoria?". A resposta é: a faculdade ou universidade não sabe o que você vai fazer. No ensino médio eu estudei geografia, algo que nunca usei na minha vida profissional. Porém no ensino médio a escola não sabia o que cada aluno faria, e pode ser que algum dos meus colegas esteja utilizando esse conhecimento em seu trabalho. O mesmo se aplica para a universidade. Eles não sabem quais de seus alunos trabalharão na indústria, quais serão professores e quais se direcionarão à pesquisa. Eles não sabem quais vão trabalhar na Fórmula 1 ou se algum deles será contratado pela NASA.  Então eles buscaram construir um currículo que atendesse ao maior número de possíveis necessidades futuras.

   Por fim, digo que concordo que os cursos devem  levar em conta a prática. Eles devem adequar seus currículos para incluir visitas a empresas ou locais cotidianos da profissão, devem realizar palestras com projetistas de  empresas do setor em questão. Agora a pessoa que diz que deveria ter menos teoria (e em geral atacam as disciplinas de cálculo e física) por que ela  não consegue entendê-la ou passar em uma disciplina teórica, na minha opinião, não tem o necessário para ser formado em um curso de nível superior.

   Por hoje era isso. Se concorda, discorda ou tem algo a dizer sobre isso, use os comentários. Abraço a todos e que continuemos estudando.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Retorno Triunfal!

Nossa, quanto tempo faz que não escrevo aqui. Deixe-me ver, faz desde março desse ano!

Primeiro, permitam-me explicar o motivo de minha ausência aqui. Este último ano estive envolvido com pesquisa tecnológica na Universidade de Caxias do Sul. Estava trabalhando em um projeto sobre identificação de parâmetros de baterias chumbo ácidas reguladas por válvula (VRLA ou também conhecida como bateria de carro!).

Devido a pesquisa estive mais dedicado a funções dentro da universidade, como monitorias e até mesmo minhas próprias aulas. Mas este ano estou deixando o projeto, então creio que vou ter mais tempo e disposição para escrever aqui.

Então vamos lá. O que temos pendente para fazer? Temos a série sobre programação C, que nunca foi terminada =/.

Depois disso vamos começar uma série sobre microcontroladores (por que não?). Estou trabalhando em um programa para Arduíno (sim, eu comprei um ^^) para comunicar com um controle de PS2. Estou terminando isso e, após finalizar, quero expandir para outros microcontroladores que conheço (PIC e ARM).

Também quero incluir algumas coisas sobre física (amor de minha vida) e química (apenas uma paixão momentânea). Por que não? O blog é meu mesmo!!!

Como sempre estou aceitando comentários, sugestões e críticas para continuar melhorando o blog. Conto com a ajuda de todos os leitores.

Então vamos lá, que 2014 não terminou e temos muito trabalho a recuperar.

Abraço a todos e de volta aos estudos!!!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Aniversário do Blog!

     Fevereiro é o mês de aniversário do blog. O blog completou 3 anos de existência e embora o ritmo de postagens não seja mais o mesmo (eu estou ficando devagar, muito trabalho, estudo e namoro) a qualidade dos posts e do auxílio que eu busco prestar a quem me procura aumentou! Isso por que quando eu comecei em 2011 eu não tinha nem experiência prática e nem formação teórica em eletrônica.

     Hoje, três anos depois, eu me formei técnico em eletrônica, iniciei o curso de engenharia de controle e automação, trabalho há 1 ano e meio na indústria, faço pesquisa acadêmica há 6 meses, fui monitor de sistemas digitais e, nesse semestre, serei de microprocessadores I.

     Ou seja, estou me esforçando. E todo o conhecimento que acumulei nesse início da minha trajetória profissional me mostrou o quão pouco eu sei. Interagir com pessoas que estão em um nível muito acima do meu me fez perceber que tenho muito a aprender.

     Mas, por sorte (essa última que, por mais que não goste de admitir, tem um papel muito importante na minha vida), essas pessoas de alto nível estão sempre disponíveis para me ensinar e me ajudar a buscar o meu próprio conhecimento.

     E elas tem não somente aumentado meu nível de conhecimento técnico, mas tem me mostrado a importância de pessoas disposta a compartilhar o conhecimento. É para isso que o blog existe desde o começo, e para isso que continuará existindo pelo máximo de tempo que eu puder mantê-lo. E mesmo com um baixo ritmo de postagem, ainda me alegra de ver que todo dia pelo menos 100 pessoas visualizam esse blog. Espero que essas pessoas estejam encontrando o que procuram aqui e que saibam que, se precisarem, podem deixar um comentário que eu com certeza responderei (dentro de um prazo de dois dias úteis :).

     Obrigado a todos os leitores e seguidores do blog. Um feliz aniversário para nós. Que esse ano seja de muito esforço e muitas conquistas. Vamos continuar estudando.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Aniversário do Blog II

Para ser mais preciso, no dia 02/02 este Blog completou 2 anos de existência. \o/

Já tivemos no blog cerca de 105.000 visualizações e 40 comentários, que sempre foram de pessoas satisfeitas com o blog. Isso significa que, ou todos que visitam o blog saem satisfeitos, ou quem fica insatisfeito não comenta. O que é uma pena. Se você não gostar de alguma coisa e tiver uma sugestão de melhoria, por favor, expresse em um comentário. Nunca tivemos um comentário com sugestão de tema para um post. Então, se você quiser ser o primeiro a dar uma sugestão... fique à vontade.

Outra coisa... sempre tive a vontade de conseguir uma câmera filmadora, daquelas digitais mesmo, nada profissional, para fazer alguns vídeos. É que eu acho que certas coisas são difíceis de explicar e mostrar só com imagens e palavras. Quem sabe este ano o blog não adquira uma câmera digital, nem que seja emprestada para alguns posts.

Para este terceiro ano de Nerd Elétrico, temos algumas metas:

* Fazer a série de posts sobre Algoritmos (já em andamento), Programação e Linguagem C;
* Fazer uma série de posts sobre Eletrônica Digital (já em andamento) e Microprocessadores, que provavelmente será da família PIC;
* Fazer mais posts analisando circuitos práticos (já em andamento) e fazer alguns vídeos mostrando as montagens e o funcionamento real dos mesmos;
* Ainda ligado ao item de cima, fazer uma série de posts sobre amplificadores com transistores;
* Mudar a imagem do título do blog, que já tá antiga;

A demora dos posts é que, basicamente, o blog reflete o meu aprendizado dos conteúdos postados. Muitas vezes eu posto sobre assuntos que estou estudando no momento. Então a demora se deve ao fato de eu ter que "dominar" um pouco mais o assunto, para não falar tanta asneira aqui no blog.

Por enquanto vamos ficar com apenas estes objetivos. Claro que, durante o percursos, a disponibilidade de tempo pode permitir mais coisas. Mas eu quero, para 2013, realizar pelo menos os 5 itens citados acima. E saiba que é muito importante os comentários de vocês que visitam o blog. Basicamente, são os seus comentários que nos animam a continuar postando. Talvez sem seus comentários perguntando e apoiando, o blog já não existisse mais. Claro que este não é um blog famoso, nem muito visitado. Mas se aqueles que buscam um pouco de conhecimento em eletrônica encontrarem o que procuram aqui, isso já é a maior recompensa que poderíamos querer. Abraço e continuem estudando.

sábado, 4 de agosto de 2012

Aviso Importante

Os leitores que quiserem acompanhar as equações postadas no blog TALVEZ (isto não é uma certeza) terão que utilizar o Mozilla Firefox e baixar o addon greasymonkey. Isso permitirá ver as equações corretamente.

[;E=mc^2;]

Se você consegue ver a expressão acima como a imagem de uma equação, você está OK para visualizar as equações do blog. Caso contrário, entre em contato deixando um comentário neste post, que eu posso dar algumas explicações e orientações do porque deste problema. Obrigado pela compreensão. Abraço.

sábado, 2 de junho de 2012

Post N° 100

Postagem especial, de número 100. Faço aqui uma homenagem ao meu personagem favorito do universo Marvel, e também uma inspiração em termos de tecnologia: Anthony Edward "Tony" Stark, A.K.A. Iron Man. Para homenageá-lo, fiz esse desenho de seu primeiro traje, o Mark I, usado para fugir de seu cativeiro, enquanto raptado.


Não sou desenhista (o que é perceptível pela imagem acima), mas está aí minha homenagem ao Homem de Ferro. Achei até que ficou legalzinho o desenho. Claro que isso não foi um post sobre eletrônica, e sim sobre meus devaneios nerds. Tudo bem, é verdade mas, temos que nos permitir certas coisas nessa vida, não é mesmo? Enfim, se cuidem e continuem estudando pessoal. Abraço e... Avengers Assemble. Fui...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Farewell Steve Jobs


Faleceu ontem Steve Jobs. Notícia que por algum motivo me abalou; o que me surpreendeu, pois dificilmente sinto quanto alguém famoso morre. Mas com ele foi diferente... Talvez por ele ser um homem com visão tão enraizada no futuro seja difícil imaginar sua morte.

Pensar que ele foi um dos pioneiros da computação. Estava entre o seleto grupo de pessoas que construíram o conceito do computador pessoal e da tecnologia acessível a população em geral. Que começou numa garagem o que seria o futuro, o que seria uma empresa bilionária. Que teve a coragem de ir adiante com suas ideias, com seus sonhos e com suas visões. Imaginar que aventura foi viver a juventude no movimento hippie, morar no vale do silício e abrir uma empresa com apenas dois funcionários cuja imaginação beirava a loucura.

Para não me prolongar mais, quero terminar com o seguinte trecho de seu famoso discurso em uma formatura na universidade de Stanford.

"Minha terceira história é sobre a morte.

Quando eu tinha 17 anos, eu li uma frase que era algo assim: 'Se você viver cada dia como se fosse o último, algum dia você estará certo.' Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho todas as manhãs e me pergunto: 'Se hoje fosse meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?' E se a resposta for 'não' por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é importante. Não há razões para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas!

Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais do que três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas - que é o código dos médicos para 'se preparar para morrer'. Significa tentar dizer as suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer adeus.

Eu vivi com aquele diagnóstico a manhã inteira. Depois, a tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu fui operado e agora estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era apenas um conceito abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo são vocês. Mas algum dia, não muito distante, vocês gradualmente se tornarão velhos e serão varridos. Desculpem-me por ser tão dramático, mas essa é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém;

Não fique preso pelo dogma, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

E o mais importante: tenha coragem de seguir seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.

Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada ensolarada do interior, daquele tipo por onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

'Continue faminto, continue bobo.'

Foi a mensagem de despedida deles. Continue faminto. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, que vocês estão se formando e começando de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem famintos. Continuem bobos.

Obrigado"

E esse foi o discurso dele, a mensagem que ele passava para nós, o novo. Há muito o que pensar em suas palavras e, para encerrar o post eu queria reforçar suas palavras: Continuem famintos, continuem bobos...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Educação ou Robotização?


As crianças são tão legais. Eu acredito que elas sejam muito mais interessantes que os adultos. Talvez isso tenha a ver com o fato de, no fundo, eu ser uma eterna criança. Enfim... Sua inocência, sua curiosidade, sua vontade de explorar são qualidades incríveis. Mas parece que ao longo do tempo essas virtudes se perdem. Então na escola elas já estão extremamente desinteressadas, sem aquela necessidade de aprender que tinham antigamente. Mas o que houve ao longo dessa trajetória?

O problema começa em casa, com pais sem tempo de dialogar com seus filhos e responder suas perguntas aparentemente triviais. Por que a grama é verde? Por que a lua é redonda? As respostas dessas perguntas incluem conceitos como clorofila e fotossíntese ou a ação do campo gravitacional sobre os corpos. Mas ao invés de um diálogo sobre os assuntos tudo o que a criança escuta é o quanto seus questionamentos são bobos. Suas perguntas são retalhadas e toda sua curiosidade minada por pais que se esquecem de como faz bem a curiosidade para a criança.

Ao chegar à escola, já sem mais aquele vívido sentimento de questionamento, o aluno começa a aprender diversas coisas. Porém a forma como as matérias são apresentadas é completamente maçante e acaba por desestimular ainda mais o jovem estudante. Dessa forma, o sistema educacional se mostra extremamente eficiente em ensinar uma criança a decorar, mas falha em ensiná-la a pensar.

Essa criança cresce, passando (ou não) série por série. Chega ao ensino médio sem a capacidade de usar seu senso crítico ou pensar por conta própria. Dessa forma o adolescente fica perdido, alheio quanto a assuntos importantes, como preservação ambiental ou temas políticos. Muitos se formam sem saber o que faz um deputado, senador, vereador, etc. Se "formam" sem saber o que é a camada de ozônio, ou as causas do aquecimento global. Se "formam" sem saber resolver simples equações de primeiro grau. Se "formam" sem saber quantos estados existem em nosso belo país. Se "formam" sem saber escrever de forma adequada. Se "formam" sem saber nada sobre as guerras mundiais. A pergunta que fica é: que tipo de formação é essa?

E com isso (e aqui chegamos talvez ao grande "X" da questão) temos uma sociedade de cidadãos que, por não terem sido ensinados a pensar, não conseguem exercer plenamente sua cidadania. Ficamos assim com um país formado por uma grande massa de pessoas facilmente manipuladas por promessas e um palavreado bonito de políticos sem um pingo de vergonha na cara.

Onde está a solução para todo esse problema. Seria complicado corrigir os políticos, pois esses são incorrigíveis. O poder já corrompeu seus corações há muito tempo. Então talvez a solução fosse corrigir o sistema educacional? Talvez, mas não acredito que isso aconteça enquanto nosso governo seja constituído por pessoas mal-intencionadas. O que creio ser o início de uma sociedade melhor seria corrigir nossos lares. Lá na base de toda essa pirâmide de erros, está uma criança. Formando uma boa criança, estaremos, indiretamente, criando um bom adulto, um bom cidadão, que se tornará um bom profissional em várias áreas da sociedade. Teremos assim bons médicos, dotados de ética e amor pelo próximo. Bons advogados, que não trabalham simplesmente para defender bandidos. E, se não for sonhar de mais (porém, se for, me deixe sonhando) bons políticos, que transformem esse país naquilo que ele há muito deveria ser: um país desenvolvido, no mais pleno sentido dessa palavra.

domingo, 17 de julho de 2011

A Importância do Inglês


Hi guys, what's up... ops... idioma errado... e aí galera tudo bem com vocês? Agora sim estamos falando a mesma língua. Hoje venho comentar sobre um assunto bem clichê: a importância do inglês. Todos nós já sabemos que o mundo está globalizado e tudo hoje tem, pelo menos, um pouco de estrangeirismo. Mas qual será a real importância dessa língua tão falada? É isso que investigaremos nesse post.

Como não quero comentar sobre a importância do inglês no geral (pois acredito que todos já sabemos), vou me focar na sua relevância para nossa área: eletro/eletrônica.

Quando você compra uma máquina, adivinha em qual língua vem o manual? Inglês! Pode até vir em português também, mas o inglês está sempre lá. Já houve casos de eu ter que fazer a ligação de máquinas industriais. Coisa bastante simples. Basta ligar os fios certos na tomada! Mas, por curiosidade, resolvi dar uma olhada no manual. Lá estavam todas as instruções em inglês, mas nada de português. Como eu até que me viro bem, não tive problemas com a leitura do manual. Aquela foi uma das ocasiões que o inglês me ajudou.

Outra situação em que ele me ajudou foi quando resolvi procurar algumas informações técnicas sobre o CI (Circuito Integrado) LM317. Esse circuito é um regulador de tensão com 3 terminais, muito usado para montagem de fontes variáveis. Abrindo o site do fabricante encontrei todas as informações imagináveis sobre esse componente; todas em inglês! Novamente (e felizmente!) não tive problemas em entender.

Eu estou fazendo curso de inglês já faz um tempinho. Não sou fluente, mas já me viro bem. Hoje já começo a perceber o retorno que esse estudo pode me trazer. Realmente o estudo de uma língua estrangeira (em especial, o inglês e o espanhol) é um investimento necessário para o profissional que quer se destacar no mercado de trabalho. Arrisco a dizer que, daqui alguns anos, esse conhecimento não será um destaque, pois muitas pessoas já terão acesso a esse tipo de educação extracurricular. Nesse caso, o conhecimento de uma segunda língua deixará de ser um diferencial e passará a ser algo padrão para os indivíduos. Mas isso não passa de um palpite próprio.

Porém o que posso afirmar é que um curso de línguas hoje pode ser um diferencial para seu currículo. Ainda mais para o profissional que trabalha com tecnologia e máquinas que são quase sempre importadas. Além do lado profissional, é um diferencial para o lado pessoal de sua vida. Ter esse conhecimento será útil caso, por exemplo, você queira fazer uma viagem internacional, traduzir músicas, etc. Tendo o conhecimento você o usa como bem entender. Mas como é aprender um novo idioma?

Muitas vezes não é barato e nunca é fácil. Quanto ao custo, existem vários sites que permitem a aprendizagem gratuita do inglês. Não vou postar links mas lembre-se que o Google é seu amigo. Quanto ao esforço, esse sim deve ser enorme. Fácil nunca é, e o estudo exige prática dedicada e frequente (diária, se possível). Mas saiba que o esforço vale à pena e trará retorno no futuro: retorno na vida profissional, social e pessoal.

Era isso por hoje. Falei o que provavelmente todos já sabiam. Se por acaso alguém que ainda não sabia passou por aqui, ficou sabendo. Acredito que não só o estudo de línguas, mas o estudo em geral, é o melhor investimento que alguém pode fazer. Esse sempre tem retorno. Pergunto-me por que o nosso país não pensa como eu e muitos outros que sei que compartilham do meu pensamento. Enquanto nosso Brasil não resolve dar a volta na situação, eu deixo o melhor conselho que eu consigo dar: estudem para que juntos possamos mudar esse país.

"As pessoas que são loucas o suficiente para pensar que podem mudar o mundo, são as que realmente mudam"

Não faço a menor ideia de quem disse a frase acima, mas concordo. Estudem e até a próxima. Abraço!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Capacidade de Conseguir Informação


Hoje gostaria de falar de uma das mais importantes qualidades de qualquer profissional: a capacidade de conseguir as informações necessárias. A verdade seja dita, ninguém consegue saber tudo. E muitas vezes nos deparamos com trabalhos que exigem conhecimentos que, por algum motivo, não temos. Mas isso não faz de uma pessoa um profissional ruim. O que faz uma pessoa ser um mau profissional é a falta de interesse ou incapacidade de obter os conhecimentos necessários.

Mas onde podemos conseguir tais informações? Atualmente há mais formas do que havia nos tempos passados. Hoje temos, além de livros, a incrível ferramenta conhecida como internet (na verdade é mais conhecida como Google). Nela podemos buscar conhecimento e conselhos com profissionais de outros cantos do país e do mundo. Analisando dessa forma, percebemos que a internet é uma poderosa aliada para ampliarmos nosso entendimento em diversas áreas de nosso interesse.



Outro meio útil e eficiente de buscar ajuda na hora do aperto é com colegas e professores. Acredito que ter um círculo de amigos ou colegas na sua área é fundamental, pois é com eles que podemos pedir ajuda de forma que seria difícil fazer pela internet. Saber se relacionar com as pessoas certas é um predicado importante ao profissional moderno. Como li uma vez em uma piada: "o importante não é saber, e sim ter o telefone de quem sabe" Acrescento que é importante saber e ter o telefone de quem sabe.



Como exemplo, cito o caso de um amigo meu. Ele está fazendo um curso de automação industrial e precisava de ajuda com o projeto de uma fonte. Com isso, marcamos um dia em que eu ajudei ele com esse trabalho e aproveitamos para jogarmos um monte de conversa fora. Foi uma tarde bastante legal e construtiva, onde pesquisamos vários tópicos sobre fontes na internet. Acredito que esse exemplo mostre bem a importância de amigos que compartilham dos mesmos interesses. Com uma amizade dessas, não só nos divertimos juntos, como também aprendemos e crescemos intelectualmente.

Bem pessoal, era isso por hoje. Passei meu recado sobre o que eu acredito ser uma qualidade profissional relevante. Realmente, deveríamos todos aprender a aprender. Essa capacidade é geralmente esquecida, porém sua importância é fundamental. Devemos buscar além do que nossos professores nos propõem. Não precisamos nos limitar dessa forma. O estudo é o caminho do estado de ignorância ao estado de conhecimento. E trilhar esse caminho é importante para todos nós. Quem escolher não percorrer esse caminho está fadado à mediocridade; e o mercado não tem espaço para profissionais medíocres. Abraço e até a próxima na semana que vem...

sábado, 18 de junho de 2011

Fika a Dika!


Bem-Vindos (com hífen, pois todos os vocábulos compostos da palavra "bem" devem, obrigatoriamente, possuir hífen) ao blog galera. Hoje tenho novidades muito interessantes, descobertas nessa semana. Talvez interesse principalmente a galera que, assim como eu, está se preparando para o vestibular e/ou ENEM. Mas o que será que tenho de tão espetacular para dizer? Aguardem e saberão!!!


Primeiro queria dar a dica de um livro, chamado "Dúvidas de português? Acabe com elas!" do Prof° José Curi (editora Doravante). Neste livro são explicadas diversas regras da nossa querida língua portuguesa de uma forma diferente. Cada regra começa com uma dúvida. Por exemplo: é bandeja ou bandeija? sopetão ou supetão? Qual a diferença de à-toa e à toa? Cada pergunta não traz apenas a resposta, como uma breve explicação da regra ou da origem das palavras. Livro realmente fantástico (na minha humilde opinião) que, além de garantir alguns pontinhos no vestibular, trará um conhecimento útil para a vida. Eu não sou daqueles que pensa que devemos falar tudo corretamente mas, mesmo assim, amei o livro. Então, fica a dica aí para vocês.


Outra dica que deixo é o site da Khan Academy, que é uma organização sem fins lucrativos criada pelo americano Salman Khan (o da foto acima). Este americano com descendência indiana possui três bacharelados pelo MIT (Massachussets Institute of Technology), um de matemática, um de engenharia elétrica e outro na área de ciências da computação, além de possuir um MBA da Harvard Business School. No seu site ele explica em vídeo de forma simples matérias nas áreas da matemática, biologia, economia, entre outras. Sua ideia foi criar um ambiente agradável e mais interativo, que facilitasse o processo de aprendizagem.

Ele começou gravando os vídeos para ensinar seus primos, que estavam longe dele, pois seu trabalho exigia que viajasse. E seus primos disseram que era melhor aprender com os vídeos que com ele em pessoa. Ele percebeu que com a gravação eles aprendiam sem a sensação desconfortável de estar desperdiçando o tempo de alguém. Quando precisassem revisar algo, era só voltar o vídeo, ou passá-lo de novo, quantas vezes fosse necessário. A pior coisa quando se está aprendendo algo novo, diz ele, é alguém do seu lado perguntando: você entendeu?

E com essa proposta de trabalho ele cativou alunos, professores e pessoas em geral ao redor do mundo. Seus vídeos somam mais de 60 milhões de visualizações e já são utilizados em algumas escolas dos Estados Unidos para auxiliar na aprendizagem.

Recentemente o seu trabalho recebeu importantes investimentos de Bill Gates, cujos filhos acompanham seus vídeos, e da Google, que doou 2 milhões de dólares para a tradução dos vídeos para outras línguas estrangeiras. Enquanto isso, os vídeos estão disponíveis somente em inglês, alguns com legendas na mesma língua. Mas, para quem tem um inglês intermediário, já é possível a compreensão dos vídeos. O link do site está abaixo. Eu recomendo, vale a pena! Além de aprender matemática, biologia, entre outras matérias, vocês aproveitam o tempo e praticam o inglês.

Khan Academy Official WebSite


Era isso. Deixo então a dica para vocês. Tenham uma boa semana e não se esqueçam, estudem muito, pois só a educação poderá nos salvar! :)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um ensaio sobre a Educação Brasileira

Hoje venho até vocês para comentar um assunto muito sério e preocupante. Venho falar da educação desse nosso Brasil. Com certeza esse é um tema batido e aqui, infelizmente, vai ser mais do mesmo, mas eu não poderia deixar de expressar minha opinião.

Bom, primeiro vamos considerar que a sociedade é formada pelos indivíduos que a compõem. Claro que não é assim tão simples, mas esse é um bom modelo para começarmos. Sendo assim concluímos que o Brasil no futuro será constituído pelas pessoas que hoje são jovens. Sabemos também que estes jovens passam uma boa parte de sua juventude dentro de uma escola, e que sua formação pessoal e profissional depende muito do ambiente onde esse jovem estuda. Agora podemos fazer um primeiro questionamento. Será que o ambiente escolar é o ideal?

Infelizmente começamos com uma resposta negativa. É claro que existem muitas escolas boas espalhadas por aí. Porém eu acho que qualidade não deveria ser um diferencial, e sim algo padrão para todas as escolas do país. Mas o que vemos são escolas em condições precárias, ou comunidades sem uma escola acessível. E há ainda problemas dentro das escolas boas, como o bullying, que todo mundo vê e tapa os olhos.

Outro questionamento que podemos fazer é sobre a qualidade do ensino. Acredito que para saber isso basta ver os resultados das pessoas que já passaram pela escola. O resultado é espantoso. Pela revista Cálculo, apenas 11% dos alunos saem do ensino médio com conhecimentos satisfatórios em matemática. O problema é que esses números baixos se repetem em todas as outras matérias. É claro que há problemas na estrutura de algumas escolas. Mas não sou hipócrita de achar que é só esse o problema. A infeliz verdade é que muitos dos alunos não se empenham nos estudos de nenhuma matéria. Concordo que se dedicar em tudo é complicado, mas não se dedicar em nada mostra a falta de comprometimento da juventude com o seu próprio futuro e com o futuro de sua nação.

Entre problemas como desorganização governamental e falta de comprometimento está o nosso falho sistema educacional. Já faz muito tempo que o Brasil é o país do futuro. E eu concordo que somos uma nação com muito potencial. Mas como iremos prosperar se das nossas escolas saem poucas pessoas preparadas para ser um bom engenheiro, um bom médico e, o que é pior, um bom cidadão. Se a educação não mudar para melhor nós sempre seremos o país do futuro, que corre, corre, mas nunca alcança nada. Para encerrar o post deixo um último comentário sobre a educação do nosso país:

"Obviamente isto está errado. A pergunta é: onde?"

Um grande abraço e até a próxima...


segunda-feira, 28 de março de 2011

Grafeno, Prêmio Nobel de Física 2010

O post desta semana é muito especial. Hoje vamos falar do Grafeno, a descoberta que valeu o Prêmio Nobel de Física do ano passado (2010). Este post nada mais é do que a tradução que eu fiz do artigo que é lançado para o público sobre o prêmio nobel. O artigo fala sobre o que é, como foi descoberto e para que pode ser usado esse novo material, que promete revoluções na área da eletrônica. Como é minha primeira tradução, eu peço paciência. :) Vamos lá então...

Grafeno, um arranjo atômica perfeito...

O grafeno é uma forma de carbono, mas como material é algo completamente novo - não apenas o mais fino como o mais forte. Como condutor elétrico é tão bom como o cobre. Como condutor de calor ele supera todos os outros materiais conhecidos. É praticamente transparente mas ainda assim é tão denso que nem o hélio, o menor átomo de gás, consegue atravessá-lo.

Consequentemente, o artigo sobre o grafeno publicado na revista Science em outubro de 2004 despertou uma comoção ao redor do mundo. De um lado, as propriedades exóticas do grafeno permitiram aos cientistas testarem os fundamentos teóricos da física. De outro lado, uma vasta variedade de aplicações práticas parecem ser possíveis.

O carbono, a base de toda a vida conhecida na Terra, nos surpreendeu de novo.

Lápis, Papel e Fita Adesiva

Não poderia ter sido mais fácil obter Grafeno, o material milagroso que vem de carbono comum, como o encontrado em lápis. Entretanto, a coisa mais simples e óbvia está frequentemente escondida da nossa vista.

Grafeno consiste de átomos de carbono arranjados em uma malha plana - uma estrutura similar a um favo de mel, mas com a espessura de apensa um átomo. Na verdade, um milímetro de grafite consiste em três milhões de camadas de grafeno uma em cima da outra. As camadas estão fracamente unidas e, portanto, é relativamente fácil separá-las. Qualquer um que já tenha escrito qualquer coisa com um lápis comum já presenciou isso e é possível que apenas uma única camada de átomos, grafeno, tenha acabado sobre o papel.

Isto foi o que aconteceu quando Andre Geim e Konstantin Novoselov usaram fita adesiva para conseguir pequenos flocos de uma grande peça de grafite de uma maneira mais metódica. No começo eles conseguiram flocos compostos por várias camadas de grafeno, mas conforme foram repetindo o procedimento dez ou vinte vezes os flocos foram ficando cada vez mais finos. O próximo passo era achar minúsculos fragmentos de grafeno no meio de finas camadas de grafite e outras impurezas do carbono. Foi quando eles tiveram uma brilhante ideia: a fim de serem capazes de verem os resultados de seu trabalho meticuloso, os cientistas de Manchester decidiram fixar os flocos em uma chapa de silício oxidado, material comum de trabalho na indústria de semicondutores.

Quando a chapa é posta sob um microscópio comum é possível ver um arco-íris de cores, similar ao que é visto quando óleo é derramado na água, e assim se determina o número de camadas de grafeno em um floco. A espessura das camadas subjacentes de silício oxidado foi, por sua vez, crucial na descoberta do grafeno. Agora, sob o microscópio, o grafeno já podia ser visto. Um verdadeiro material cristalino bidimensional que existe em temperatura ambiente. O grafeno é uma rede perfeitamente regular de carbono com apenas duas dimensões, largura e comprimento. A unidade básica deste padrão consiste em seis átomos de carbono unidos quimicamente. Grafeno, assim como outras formas de carbono que conhecemos, consiste de bilhões de átomos de carbono juntos em um padrão hexagonal.

Esperando pela descoberta

O grafeno, é claro, sempre existiu. O ponto crucial era ser capaz de detectá-lo. Similarmente, outras formas naturais de carbono existiam antes dos cientistas poderem vê-las da maneira correta: primeiro os nanotubos, então as bolas ocas de carbono, fulerenos (Prêmio Nobel de Química em 1996). Preso dentro do grafite, o grafeno estava esperando para ser liberto, mas ninguém realmente pensava que isto fosse possível.

Muitos cientistas pensavam ser impossível isolar materiais tão finos: ele pensavam que o material se enrugaria, se enrolaria a temperatura ambiente ou simplesmente desapareceria. Apesar disso, algumas pessoas continuaram tentando embora todas as tentativas anteriores tivessem fracassado. Antigamente tinha sido possível obter filmes com uma espessura menor do que 100 átomos - de fato, alguns chegavam a ser tão finos que eram transparentes.

Uma maneira de obter grafeno a partir de grafite é introduzir substâncias químicas entre as camadas de átomos para enfraquecer a união entre eles e, consequentemente, separar as camadas. Outro método consiste em simplesmente arranhar as camadas de grafite. Também foi tentado, com sucesso, queimar o silício dos cristais de carboneto de silício. Em altas temperaturas finas camadas de carbono eram deixadas para trás. Diferentes técnicas de crescimento epitaxial, usada para criar vários materiais semicondutores, são mais promissores no que diz respeito a produção de grafeno para uso na indústria de eletrônicos. Rolos com 70 centímetros de folhas largas de grafeno foi o máximo produzido até agora.

Em um mundo de paradoxos

Andre Geim e Konstantin Novoselov podiam obter apenas micro flocos do novo material. Apesar do tamanho minúsculo eles podiam agora começar a investigar as duas mais memoráveis qualidades do grafeno, dos quais ambos influenciam em suas propriedades elétricas.

A primeira é a quase perfeita composição do grafeno. A ordenação sem erros se deve a uma forte delimitação dos átomos de carbono. Ao mesmo tempo, os vínculos são flexíveis o bastante para permitir que a malha aumente cerca de 20% do seu tamanho original. A malha também permite aos elétrons viajarem longas distâncias no grafeno sem sofrerem distúrbios. Em condutores normais, os elétrons geralmente se chocam como uma bola em uma máquina de pinball. Estes choques enfraquecem a performance do condutor.

A outra qualidade única do grafeno é que seus elétrons se comportam como partículas de luz, os fótons, que não possuem massa, e que no vácuo se movem sempre a 300 milhões de metros por segundo. Similarmente, os elétrons que viajam no grafeno se comportam como se não tivessem massa e se movem a uma velocidade constante de um milhão de metros por segundo. Assim seria possível estudar alguns fenômenos mais facilmente em uma escala menor, sem precisar recorrer ao uso de um grande acelerador de partículas.

O grafeno também permite aos cientistas testar alguns dos efeitos quânticos mais "fantasmagóricos", que até agora só tem sido discutidos teoricamente. Um desses fenômenos seria uma variante do tunelamento de Klein, que foi formulado pelo físico sueco Oskar Klein em 1929. O efeito de túnel na física quântica descreve como as partículas podem, algumas vezes, atravessar barreiras que normalmente as bloqueariam. Quanto mais larga a barreira, menor a chance de uma partícula quântica atravessá-la. Entretanto, isto não se aplica aos elétrons viajando no grafeno - em alguns casos eles se movem como seu não houvesse barreira alguma.

Um Mundo de Sonhos

As possíveis aplicações práticas do grafeno tem recebido uma atenção especial. Até agora, muitas delas existem apenas na nossa imaginação, mas algumas já estão sendo testadas, inclusive pelos próprios Geim e Novoselov.

A capacidade de condução do grafeno tem estimulado o interesse. Previsões dizem que os transistores de grafeno serão mais rápidos que os feitos hoje em dia com silício. Para os chips de computadores ficarem mais rápidos e mais eficientes eles tem que ser menores. O silício já atingiu uma fronteira de tamanho onde o material perde suas funções. Mas o limite do grafeno é ainda menor, logo componentes de grafeno poderão ser colocados em chips menores que os de hoje.

Foi um marco quando, alguns anos atrás, o componente mais importante, o transistor de grafeno, foi apresentado como sendo tão rápido quanto os de silício. Talvez estejamos à beira de outra miniaturização da eletrônica, que levará os computadores a serem ainda mais eficientes no futuro. Até agora, computadores de grafeno não são nada além de um sonho distante, embora monitores de um fino papel transparente que possam ser enrolados e carregados no bolso já apareçam em comerciais para os consumidores de eletrônicos do amanhã.

Entretanto nós só podemos especular sobre algumas das aplicações mais realisticas e algumas das menos, mas todas elas necessitando de iniciativa mesmo sem resultados garantidos.

Como o grafeno é praticamente transparente (algo em torno de 98%) e ao mesmo tempo bom condutor de eletricidade, seria possível fabricar telas transparentes de touch screen, painéis de luz e, talvez, até mesmo células solares. Até plástico poderia ser transformado em um condutor eletrônico se apenas 1% de grafeno fosse misturado a ele. Do mesmo jeito, misturando uma fração de uma parte de grafeno por mil de plástico, sua resistência ao calor aumentaria em 30ºC ao mesmo tempo que se tornaria mais robusto mecanicamente.
Essa resiliencia poderia ser utilizada em novos super materiais, que seriam também finos, elásticos e leves. No futuro, os satélites, aviões e carros poderiam ser fabricados desses novos materiais.

A estrutura perfeita do grafeno também o torna adequado para a produção de sensores extremamente sensíveis que poderiam registrar até os menores níveis de poluição. Até mesmo uma única molécula aprisionada na superfície do grafeno seria descoberta.

Um jogo sério

A lista das possíveis aplicações do grafeno é longa. A implacável atividade que começou após sua descoberta irá provavelmente dar frutos. Ninguém pode prever o que o futuro nos trará, nem mesmo os Laureados deste ano. Eles se deixaram levar pelo acaso e tiveram a sorte e o conhecimento para aproveitar as oportunidades que apareceram - como bem sabemos, a sorte favorece as mentes preparadas.

Ambos os laureados pensam que a pesquisa deve ser divertida. Eles trabalham juntos há muito tempo. Konstantin Novoselov, 36 anos, começou a trabalhar para Andre Geim, 51 anos, como estudante de PhD na Holanda. Ele subsequentemente seguiu Geim até o Reino Unido. Ambos originalmente estudaram e começaram suas carreiras como físicos na Rússia. Agora eles são professores da Universidade de Manchester.

Ludicidade é uma de suas marcas. Com as ferramentas disponíveis eles se dispuseram a criar algo novo, algumas vezes seguindo seus cérebros sem rumo. Mas sempre se aprende algo no processo e, quem sabe, você pode até acertar na mosca. Foi assim que sete anos atrás eles criaram uma super fita adesiva inspirado na habilidade do Lagarto de Gicko de aderir até nas superfícies mais suaves. Antes disso, em 1997, Geim trabalhou para fazer um sapo levitar em um campo magnético, um engenhoso modo de ilustrar os princípios da física. O sapo que levitava ganhou o prêmio IgNobel em 2000 por "fazer as pessoas rirem primeiro e pensarem depois".

Agora, com o grafeno, Andre Geim e Konstantin Novoselov escreveram seus nomes nos anais da ciência.
Bem, essa foi a minha tradução, com alguns erros, do trabalho lançado ao público sobre o prêmio nobel. Também gostaria de deixar meus insignificantes parabéns para os laureados, Andre Geim e Konstantin Novoselov pela descoberta do que poderá ser o começo de uma revolução na eletrônica. E era isso por hoje, abraço e até a próxima.