domingo, 27 de setembro de 2015

Novas Diretrizes para o Blog

Olá pessoal, Tudo bem?

Bah (Tchê), verifiquei que não há nenhum post em 2015. Se eu tivesse pessoas que seguem ativamente este blog, elas estariam bravas comigo agora (vantagens do anonimato)!

Visando corrigir isso, gostaria de explicar o motivo e as ações que serão tomadas que o blog tenha mais atividade e conteúdo.

Quando o blog começou eu estava no ensino médio e cursando técnico em eletrônica. Então a disponibilidade de tempo era maior. Ainda naquela época eu comecei com a ideia de séries, que são uma sequência de posts sobre um assunto comum, como, por exemplo, a série sobre iluminação.

A ideia de séries foi super bem recebida e então obviamente eu a continuei. Porém, chegando no ensino superior, o tempo disponível diminuiu devido a maior carga de estudos. O que aconteceu então foi o seguinte: eu comecei a série sobre programação enquanto fazia uma disciplina de programação. Porém a disciplina terminou antes da série e eu não tive como disponibilizar esforços para terminar a mesma. Isso gerou um desânimo e um posterior abandono do blog.

Visando melhorar esse aspecto eu anuncio as seguintes alterações no blog:

* O blog ficará mais atrelado as minhas atividades no momento, tal como deve ser um blog. Os posts serão sobre os projetos que eu trabalho no momento, as disciplinas que eu curso no momento, etc. Isso torna o esforço necessário para gerar conteúdo bem menor para mim, uma vez que já estou inserido no assunto de qualquer jeito.

* Séries? Só nas férias. E ainda assim séries curtas, entre 5 e 7 episódios. O assunto da série será a matéria que eu estudarei nas férias para o próximo semestre.

* Videos? Sim! Como podem ver, a conta administradora do blog trocou para "mr.dtft". Essa é uma conta totalmente google, que agora está integrada com g-mail e youtube. Portanto prometo que postarei vídeos (não necessariamente todos sobre eletrônica). Sempre que eu o fizer postarei aqui também.

* Além disso, a conta "mr.dtft" será utilizada exclusivamente para assuntos no blog. Se quiserem me enviar e-mail com dúvidas fiquem a vontade. Peço que se as dúvidas forem simples, que sejam feitas nos comentários. O e-mail ficará mais reservado para colaboração em projetos, etc. Quer montar um circuito e gostaria de umas dicas? Manda um e-mail e trocamos algumas dicas! Se a demanda por isso for muito alta, eventualmente terei que rejeitar alguns pedidos. Mas vamos ver no que vai dar.

* Frequência de posts: Só nos finais de semana, e não em todos. Sabem né, final de semestre não dá. Simplesmente não dá!

Então era isso. Espero conseguir revitalizar esse blog que me é tão querido. Obrigado pelas mais de 250000 visualizações desde o início dele. *-*

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

INDUSCON 2014, Blog 2015


   Olá a todos. Quanto tempo que não posto nada. Desde setembro, se não me engano. Enfim, esse é a parte ruim de fazer engenharia em paralelo com mais um monte de outras coisas. Mas, agora, no fim do ano, resolvi fazer um post para falar sobre coisas gerais.

IEEE INDUSCON 2014 - XI International Conference on Industry Applications

   A primeira delas é que estou na INDUSCON. Como já falei aqui, eu fiz pesquisa no ano passado. Então, com o resultado do trabalho submetemos um artigo que foi aceito e agora está sendo representado na INDUSCON. O nome do congresso é um acrônimo para International Conference on Industry Applications e está na sua 11ª edição, que está sendo realizada em Juíz de Fora, MG. A INDUSCON é uma conferência ligada a IEEE (Institute of Eletrical and Electronics Engineers), a maior associação profissional do mundo em número de inscritos, com aproximadamente 500 mil profissionais cadastrados como membros. Essa oportunidade de estar aqui é muito legal, já que o máximo que tinha saído do meu estado (RS) desde sempre foi para Chapecó (SC). Só que Chapecó é praticamente divisa com RS. Então, de certa forma, é como se eu nunca tivesse saído do estado.

   Dessa vez foi diferente, peguei um ônibus à Porto Alegre, depois um avião à São Paulo onde fiz conexão para o Rio de Janeiro para viajar 3 horas de ônibus para Minas Gerais. Me hospedei no hotel e estou aproveitando a conferência. É realmente um ambiente muito diferente. Eu sou técnico em eletrônica e graduando em engenharia de controle e automação, mas posso assegurar tranquilamente que tenho a menor escolaridade da conferência. Serão 3 dias completos de palestras e apresentação de pôsteres com mestres e doutores em engenharia de todo o Brasil. Com destaque especial para o sempre fortíssimo pessoal do GEPOC (Grupo de Eletrônica de Potência e Controle) de Santa Maria. Grupo do qual já conhecia um integrante e passei a conhecer alguns outros na conferência. Realmente o trabalho que eles executam na UFSM é muito bom e eles merecem a fama que conquistaram.

   Já apresentei meu pôster, consegui minha dose de elogios, mas a maior vitória é estar em um lugar onde só se tem a aprender. Também conheci muita gente legal, e reencontrei algumas pessoas também. Agora resta aguardar a publicação do artigo!


FUTURO DO BLOG PARA 2015

   Pois bem! O ano de 2014 está quase acabando e, por consequência, 2015 está quase começando. Eu não vou prometer constância nas publicações desse blog, devido aos inúmeros compromissos que assumi. Pensei inclusive em encerrar as atividades do blog. Porém me decidi pelo contrário, devido ao fato de já haver muito conteúdo bom publicado aqui.

   Quando o blog começou em... fevereiro de 2012 eu estava iniciando o curso técnico. E adorava este blog. Nessa época eu cursava o terceiro ano do ensino médio no turno da manhã e acordava um pouco antes para publicar neste blog três vezes por semana. De lá pra cá acabei o ensino médio, comecei a graduação, comecei a trabalhar, terminei o curso técnico, comecei a fazer pesquisa e isso tudo contribuiu para que o blog ficasse negligenciado. C'est la vie.

   Não vou deletar o blog até por um motivo sentimental. Ele me acompanha durante um longo tempo e quero, daqui muito mais tempo, poder olhar pra trás e ver o quanto eu evolui. E o blog é um registro escrito do quanto evolui e um registro que me permite ajudar outras pessoas a evoluir também.

   Embora o blog esteja confirmado para 2015, a frequência de postagem provavelmente será baixa. Quero terminar a série de posts dobre programação na linguagem C e começar alguma coisa sobre microcontroladores. Também estarei disponível para sanar dúvidas pelos comentários e, se alguém tiver uma sugestão de post, posso escrevê-lo também (já que ter um feedback serve de motivação para o processo criativo).

   Tendo dito isso, encerro esse post. Abraço a todos. Bom fim de ano. Boas festas e um próspero ano novo à todos.

sábado, 13 de setembro de 2014

Algoritmo e Programação - Funções (Exemplo de Aplicação)

   Olá. Semana passada não pude postar nada, devido a indisponibilidade de tempo. Então vamos retomar esta semana, continuando do tema do último post: funções na linguagem C. Hoje eu vou mostrar como criar uma função simples em um programa. Caso você não saiba nada de funções na linguagem C ainda, por favor, dê uma olhada no último post (clique neste link).

   Primeiramente, crie um novo programa, inclua as bibliotecas que sempre utilizamos e escreva o seguinte código:

float nota_1 = 0, nota_2 = 0, nota_3 = 0, media = 0;
float calculo_media (float n1, float n2, float n3)
{
    float media_aritmetica;
    media_aritmetica = (n1+n2+n3)/3;
    return media_aritmetica;
}
main()
{
    printf("Digite nota 1: ");
    scanf("%f",&nota_1);
    printf("Digite nota 2: ");
    scanf("%f",&nota_2);
    printf("Digite nota 3: ");
    scanf("%f",&nota_3);
    media = calculo_media(nota_1, nota_2, nota_3);
    printf("A media calculada foi de: %f.\n",media);
    if(media < 6)
        printf("Aluno reprovado!\n\n");
    else
    {
        if( media < 7 )
            printf("Aluno aprovado por pouco!\n\n");
        else
        {
            if( media < 8 )
                printf("Aprovado!\n\n");
            else
            {
                if( media < 9 )
                    printf("Aprovado! Parabens!\n\n");
                else
                {
                    if( media <= 10 )
                        printf("Aprovado com louvor!\n\n");
                }
            }
        }
    }
    system("pause");
}
 
   Esse exemplo já foi dado na série de algoritmos e programação, mas até então não sabíamos nada sobre funções ainda. Agora que um pouco dos conceitos das funções foram explicados, vale a pena voltar e dar outra olhada para esse programa.
 
   Como podem lembrar (ou perceber), esse programa calcula a média aritmética de três notas digitadas pelo usuário do programa. Antes do main() perceba que existe o seguinte trecho de código:
 
float calculo_media (float n1, float n2, float n3)
{
    float media_aritmetica;
    media_aritmetica = (n1+n2+n3)/3;
    return media_aritmetica;
}
 
   Bem. Isso é uma função. A primeira palavra é "float". Essa primeira palavra representa o tipo de valor retornado pela função. Mas o que é valor retornado? Basicamente todas funções operam sobre alguns dados. Nesse caso específico, a função calcula a média aritmética baseado em três notas. Algumas funções, após operar com os dados podem fornecer algum resultado. Neste caso, a função fornecerá o resultado calculado da média. A primeira palavra "float" indica que o resultado a ser devolvido é do tipo ponto fluante, ou seja, um número decimal (com virgula). Outros tipos possíveis é int (em geral, números inteiros de 16 bits), char (números inteiros de 8 bits) e void. O void é utilizado quando a função não retornará nenhum valor. Isso significa que ela operará com os dados fornecidos mas não devolverá nenhuma resposta.

   Após a primeira palavra, que determina o tipo de retorno da função, está escrito calculo_media. Esse é o nome da função, e é arbitrário. Porém algumas regras devem ser seguidas. A linguagem C não aceita nomes que comecem com números. Também não são permitidos nomes com espaço (isso justifica o uso do underline no nome). Nomes iguais a palavras reservadas da linguagem, tais como if, else, while, também não são permitidos. É importante lembrar que a linguagem C é case sensitive. Isso significa que ela diferencia letras maiúsculas de minúsculas. Portanto, se eu criei a função "calcula_media" e, dentro do programa, tentar chamar a função "Calcula_Media", o compilador dirá que a função chamada não existe.

   Após o nome, entre parênteses, existe uma lista de argumentos. Essa lista contém o tipo e o nome de todas as variáveis utilizadas nas funções. Vamos começar entendendo o tipo dessas variáveis. Ali percebe-se novamente o uso da palavra float. Isso indica que as variáveis que vão entrar na função são do tipo ponto flutuante, ou seja, admitem valores decimais que não sejam inteiros. O que faz todo sentido nesse exemplo de cálculo de notas, já que as notas podem ser números com vírgula.

   Quanto aos nomes das variáveis, são completamente arbitrários, desde que sejam seguidas as mesmas regras explicadas para nomear funções. Uma coisa importante é que o nome das variáveis da lista de argumentos da função não precisa ser igual ao nome das variáveis passadas para função. Complicada essa explicação? Ok, permita-me exemplificar: perceba que no programa de exemplo a função possui, em sua lista de argumentos, três variáveis. Todas elas são do tipo float e estão nomeadas como n1, n2, n3. Note também que dentro do main() é solicitado ao usuário digitar três valores para notas, que são atribuídas a três variáveis distintas, nomeadas como nota_1, nota_2 e nota_3. Quando eu chamo a função dentro do programa com a seguinte linha de comando "media = calculo_media(nota_1, nota_2, nota_3);" eu passo para dentro da função as variáveis nota_1, nota_2 e nota_3. Perceba que o nome das variáveis que eu passei é diferente do nome das variáveis na lista de argumentos. E isso não constitui problema algum. O que irá acontecer é que a função vai atribuir a primeira variável de sua lista de argumentos (nesse caso, n1) o valor da primeira variável passada como argumento na chamada da função (nesse caso, nota_1). Isso se repetirá com todas as variáveis envolvidas. Ao final desse processo, a função terá uma variável n1 com o valor da variável nota_1, a variável n2 com o valor da variável nota_2 e a variável n3 com o valor da variável nota_3.

   Uma vez que a função tem todas as variáveis, ela pode começar a executar as linhas de instruções no seu corpo, ou seja, dentro de suas chaves. E, no nosso exemplo, a primeira coisa que a função faz é criar uma variável chamada media_aritmetica. Essa variável é local, como todas variáveis criadas dentro de funções. Se você não sabe o que é uma variável local, permita-me, em um novo parágrafo, lhe explicar.

   As variáveis de um programa podem ser divididas em variáveis locais e globais. Uma variável global é aquela cujo escopo é todo o programa. Isso significa que ela pode ser "vista" de todo o programa. As variáveis globais são aquelas criadas fora de qualquer função. Nosso programa contém quatro variáveis globais, que são nota_1, nota_2, nota_3 e media. Perceba que, como eu disse, essas variáveis estão fora das funções do programa (que são o main( ) e media_aritmetica( )). Portanto, por ser global, essa variável pode ser utilizada dentro do main() (como está sendo feito no exemplo) e, se eu quisesse, eu poderia utilizá-las dentro da função media_aritmetica(). Já a variável media_aritmetica foi criada dentro de uma função (a saber: calcula_media( )). Isso significa que ela é uma variável local e seu escopo abrange somente a função onde foi criada. Isso significa que ela não pode ser vista de nenhum outro lugar que não seja dentro da função calcula_media(). Se eu, por exemplo, tentar utilizar a variável media_aritmetica dentro da função main() o compilador gerará uma mensagem de erro, informando que essa variável não está definida dentro da função main().

   Retomando a explicação, uma vez criada a variável calcula_media, ela recebe a soma das notas n1, n2 e n3 dividida por três, pois essa é a forma de calcular a média aritmética de três notas. Após o cálculo, a última instrução da função é "return media_aritmética". Essa instrução diz para a função encerrar, devolvendo o valor da variável media_aritmetica para o local onde a função foi chamada. Se você olhar dentro do programa, a função foi chamada da seguinte forma "media = calculo_media(nota_1, nota_2, nota_3);". Portanto, a variável que irá receber o valor devolvido pela função é "media". Então, atingimos nosso objetivo, pois fizemos com que a variável "media" recebesse a média aritmética das três notas digitadas.

   Após isso o programa segue normalmente, conforme o que já estudamos anteriormente. Espero que tenham gostado, que eu tenha sido claro e que tenham aprendido tudo. Devido ao apuro de tempo, não pude revisar apropriadamente o texto. Então qualquer dúvida ou correção, mandem um comentário. Sugestões e críticas também são bem vindas. Obrigado a todos e até a próxima.

sábado, 30 de agosto de 2014

Algoritmo e Programação - Funções (Conceitos Fundamentais)

   Olá a todos. Hoje eu vou falar genericamente de funções na linguagem C: o que são, para que servem e seus prós e contras. A ideia desse post é que alguém com conhecimento nulo sobre funções (mas com algum conhecimento em linguagem C) possa entender todos os conceitos fundamentais de funções. Em um próximo post trabalharemos exclusivamente com a implementação de funções em um programa simples. Primeiramente vou falar para que servem as funções.

Contextualização

   Imagine que você é um professor de 3 turmas de 60 alunos cada e costuma aplicar três provas durante o semestre para cada turma. Então você terá a maçante tarefa de efetuar o cálculo da média (vamos considerar nesse exemplo a média aritmética) das três notas 180 vezes (uma para cada aluno). Você com certeza não irá escrever no seu código 180 vezes o cálculo da média, que consistiria em (N1+N2+N3)/3. Então você decide usar os laços de repetição apresentados nos últimos posts, dessa forma o programa poderá executar as 180 repetições do cálculo da média de que precisamos.

   Mas você não quer somente calcular a média naquela tela preta de console que vimos nos compiladores usados. Então você estuda um pouco mais e cria uma interface gráfica, com alguns botões e mensagens interativas. Acrescenta algumas funcionalidades extras no seu programa. No final, você acaba com um programa cujo código contém aproximadamente 1000 linhas.

   Então, por uma mudança da instituição onde você trabalha a média deixa de ser aritmética para se tornar harmônica. E, nesse caso, você precisa alterar o código de seu programa. Isso significa que você precisa encontrar e alterar uma expressão específica dentro de 1000 linhas de texto já escrito. Você pode me responder que utilizando um CTRL+F você encontraria rapidamente o trecho procurado. Mas suponha que, por qualquer motivo você precisou escrever a expressão da média aritmética em 10 lugares diferentes de seu código. Nesse caso você deve encontrar todos os locais onde a expressão foi escrita e alterar todos. Mas se você escreveu seu código meses, ou até anos atrás, você se lembrará de quantas vezes diferentes você escreveu a expressão da média?

O que são funções

   Justamente para sanar o problema apresentado anteriormente usa-se as funções da linguagem C. Basicamente uma função nada mais é do que um trecho de código que executa determinadas instruções. Em nosso exemplo inicialmente criaríamos uma função que calculasse a média aritmética. Depois, se precisássemos calcular a média em 10 lugares diferentes do código, simplesmente utilizaríamos a função criada. Quando se utiliza uma função dentro do código nós dizemos que a função foi "chamada". Uma chamada de função nada mais é do que sua utilização dentro do código do programa.

   Assim as funções são trechos de códigos escritos que serão repetidos em diversos lugares do programa que está sendo desenvolvido.

Vantagem das Funções

   Quando fosse necessário efetuar alterações do cálculo da média no programa, simplesmente alteraríamos um único lugar: a função. Uma vez que a função foi alterada (e o projeto compilado novamente), todos os lugares que a utilizavam, sejam 10, 20 ou 100 lugares diferentes do código, passarão a utilizar a nova função. A facilidade em dar manutenção, ou seja, a possibilidade de alterar rapidamente o código é uma das vantagens de utilizar funções.

   Outra vantagem é a facilidade de utilizar trabalho feito em um projeto em outro. Ou seja, imagine que você vá criar outro programa que também necessite efetuar cálculos de médias. Você poderia ir no programa inicial, encontrar os trechos onde foi escrito o cálculo da média e dar um CTRL+C e CTRL+V, copiando-os para o código que está sendo escrito. Mas, se você utilizou funções no primeiro programa, você poderia simplesmente importar a função para o segundo programa ou, no pior caso, dar um CTRL+C e CTRL+V na função, copiando-a para o segundo programa.

   Uma terceira vantagem do uso de função, embora um pouco mais técnica, é a economia de espaço de programa. Não digo apenas da economia de linhas conseguida, já que ao escrever uma função não é necessário escrever 10 vezes a mesma coisa dentro do programa. Refiro-me a economia no espaço de memória ocupado pelo programa. Mas, por que há economia de espaço em memória? Muito simples. Se você repetir 10 vezes o mesmo trecho de código dentro do programa e compilar, o compilador irá gerar instruções todas as vezes que você escreveu determinado trecho de código. Já se, por outro lado, você utilizou funções, o compilador irá gerar instruções apenas uma vez e, toda vez que o programa precisar utilizar essas instruções ele irá "saltar" para o local da memória onde as instruções foram compiladas.

   Embora essa explicação seja um pouco mais técnica e exija alguns conhecimentos sobre organização da memória, resumidamente é isso que acontece. Talvez algum dia (mas não vou prometer nada) exista alguns posts básicos sobre funcionamento de computadores: arquitetura de processadores e organização de memória.

Desvantagem das Funções

   Uma desvantagem das funções, embora relativamente imperceptível com a capacidade atual dos computadores, é a velocidade de execução das funções. Toda vez que o programa acha uma função ele precisa saltar para o trecho da memória que contém as instruções. Esse salto gasta tempo, pois envolve a mudança de valores que estão armazenados nos registradores do processador. Portanto saltar para uma função é mais demorado do que se as instruções tivessem sido repetidas 10 vezes. Porém, como dito, essa demora extra é imperceptível devido à velocidade alta dos computadores modernos.

Quando criar funções?

   Ao escrever o código devemos avaliar quais tarefas são importantes e serão repetidas em nosso programa. Isso serve para não cometermos nem excessos e nem faltas. Não devemos nos exceder e criar funções para tudo dentro do programa, incluindo tarefas que realizamos apenas uma vez no programa. Por outro lado não devemos pecar por falta e não criar nenhuma função dentro de um programa, a menos que ele seja de extrema simplicidade.

   Portanto devemos criar funções para todas as tarefas que:
* Acreditamos que serão utilizadas extensamente dentro de nosso programa;
* Acreditamos que possam ser úteis no futuro para criação de outros programas;

   Esses são os meus critérios para decidir quando criar uma função.

   E por hoje era isto. Nesse post expliquei apenas os conceitos e ideias do uso de funções. No próximo post sobre o assunto falaremos sobre a implementação real de uma função em um exemplo simples. Falaremos sobre a sintaxe da criação de uma função, sobre os parâmetros, sobre o valor de retorno e sobre tudo que for necessário para criação de uma função simples em C. Mais adiante seguiremos com ponteiros e como passar endereços de variáveis para funções. Enfim, temos ainda muito pano para manga e bastante coisa legal para vermos. Sobre este post deixem sugestões e críticas nos comentários. Não hesite em se expressar caso tenha achado algum trecho da explicação confuso. Obrigado a todos e até a próxima!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

200000 Visualizações. lol

O blog chegou a 200k visualizações. Fico feliz com isso! Infelizmente meu computador estragou recentemente, mas assim que eu superar esse contra tempo voltaremos com o ritmo usual de postagem, voltando com a série de programação. Temos ainda algumas coisas para ver sobre esse tema, e depois teremos um novo leque de possibilidades para explorar.

Abraço a todos que leem e, principalmente, que seguem esse blog. Muito obrigado.
Rumo a 300k visualizações!
*-*

sábado, 16 de agosto de 2014

Algoritmo e Programação - While

     Olá a todos. Hoje, para dar sequência aos posts sobre programação eu vou falar de um outro laço de repetição, que se chama while. While é uma palavra inglesa que significa "enquanto", e esse nome é muito bom pois descreve exatamente o que esse laço faz: executa um trecho do programa enquanto uma determinada condição for verdadeira. Para entender melhor, vamos discutir um exemplo:


int main()

{
     unsigned char i = 0;
     while( i < 5)
     {
          printf("O valor de i: %d.\n",i);

          i++;
     }
}


     Bom, o que este exemplo faz? Exatamente a mesma coisa que o exemplo principal do post sobre o laço "for" fazia, que é  escrever o valor de "i" que irá variar de 0 até 4. Então vamos analisar a sintaxe do comando while.

     Primeiro, existe a palavra do comando (while) e entre parênteses a condição que, nesse caso, é i < 5. Dessa forma, enquanto o valor de "i" for menor que 5 o laço continuará repetindo os comandos que estiverem dentro das chaves do comando.

     Basicamente o que podemos falar do laço while é isso. O while é uma instrução mais simples que o for e, em geral, menos poderoso. Para quem já conhece o laço for (quem não conhecer pode buscar o post nesse link) será interessante comparar a estrutura dos dois laços.

     Primeiramente, o laço while não tem inicialização. Enquanto no laço for podíamos inicializar o valor de uma ou mais variáveis que seriam utilizadas no laço dentro da sintaxe do comando, no while não temos essa possibilidade. É por isso que no exemplo dado nesse post a variável "i" recebeu seu valor antes de entrar no laço.

     Outra diferença entre o while e o for é que o while não altera automaticamente a variável testada. Por isso que nesse exemplo a variável "i" está sendo alterada dentro do laço. No laço for não há a necessidade disso pois o próprio laço, após uma iteração, altera os valores das variáveis determinadas pelo programador.

     Uma utilização comum do while é criar laços infinitos. Embora eu tenha comentado no post sobre o for que laços infinitos são perigosos (e realmente são, quando criados de forma não intencional), eles algumas vezes são necessários. Um exemplo disso é em programas de microcontroladores, que geralmente possuem dentro da função main um laço infinito. A função desse laço é repetir continuamente a execução do programa. Caso esse laço não fosse utilizado, o microcontrolador iria executar todo o programa uma única vez e, depois disso, ficaria sem fazer nada. Isso é ruim. Imagine que seu trabalho seja programar um sensor de temperatura. Você quer um sensor que leia a temperatura 1 única vez? Que para fazer outra medição você tenha que religar o equipamento? Provavelmente não. Mais comum é um programa que a cada intervalo de tempo faça uma leitura de temperatura e mostre o valor em um display. Nesse caso usa-se  um laço while com alguma função que controle o tempo para executar a leitura no intervalo de tempo necessário. A estrutura genérica e simplificada de um programa para microcontrolador é:

#includes e qualquer tipo de definição inicial de hardware
void main()
{
   inicialização de registradores e periféricos;
   while(1)
   {
      comandos do programa;
   }
}

     Nesse esqueleto de programa temos os includes e definições de hardware. Os includes tem a mesma utilidade dos que utilizamos para computador. Eles permitem que usemos funções prontas desenvolvidas pelos fabricantes  do microcontrolador ou outras pessoas. As definições de hardware dependem do compilador e hardware utilizado, que em geral não seguem um padrão. Em microcontroladores geralmente deve-se definir o tipo e a velocidade do oscilador utilizado (os osciladores de microcontroladores geralmente estão na casa de MHz) e, algumas vezes, os tipos de interrupções que serão habilitadas.

     Dentro do main temos um trecho sobre inicialização de registradores e periféricos, que se encontra antes do laço while. Um microcontrolador pode ter diversos registradores que controlam, por exemplo, se um pino será entrada ou saída, ou se será uma entrada digital ou analógica. Para informarmos ao microcontrolador a função específica de cada pino utilizamos registradores. Esse é apenas um exemplo dos  usos de registradores, que estudaremos mais detalhadamente no futuro. O microcontrolador pode também ter diversos periféricos, que são circuitos  internos ao microcontrolador que executam tarefas específicas, como medir tensões analógicas ou se comunicar via protocolo RS-232 (padrão das seriais de computador). Ter um periféricos específico para uma tarefa  facilita muito a execução da mesma.

     Após isso temos um laço while(1). Perceba que no lugar da condição do laço temos apenas um número constante de valor 1. Para entender a razão disso devemos entender que na linguagem C o valor 0 representa algo falso e qualquer valor diferente de zero representa algo verdadeiro. Se tomarmos uma variável "i" com valor 4 e fizermos a comparação (i == 5), a linguagem C entende essa sentença como 0, pois é uma sentença falsa. Por outro lado, a sentença (i == 4) seria interpretada como 1, pois é verdadeira. Mas não somente o 1 representa verdadeiro, como qualquer outro número diferente de 0.

     Como visto o número 1 equivale a uma sentença verdadeira. Como o laço for executa comandos enquanto a condição for verdadeira, e o número 1 será sempre uma sentença verdadeira, isso significa que o programa jamais encerrará o laço while. Após entrar nele o programa só sairá se ocorrer o desligamento ou alguma interrupção (trataremos disso no futuro). Portanto, esse laço garantirá a repetição indefinida do nosso programa, como desejávamos.

     Conforme o que foi dito nos parágrafos anteriores, também seria um laço infinito escrever while(2), por exemplo. Porém, a prática mais comum é utilizar o valor 1 para representar sentenças verdadeiras.

     Por hoje era isso. Espero ter explicado claramente o laço while e sua funcionalidade. Espero também ter sido claro na minha breve introdução sobre programação de microcontroladores, que será descrita neste blog em um futuro não tão distante. Qualquer dúvida, crítica, sugestão ou comentário, por favor, use o campo dos comentários. Abraço e até a próxima!

domingo, 10 de agosto de 2014

Teoria vs Prática

   Olá a todos. Hoje vou falar e dar minha opinião sobre uma discussão sem fim que é: será que os currículos dos cursos de graduação são muito teóricos? E para começar eu quero abordar uma outra pergunta que está relacionada: o que é mais importante: a teoria ou a prática?

   Arrisco dizer que o que vale mais seja sempre os resultado práticos. E essas são palavras saídas dos dedos de um teórico irremediável que sou. Mas independente de se trabalhar em empresa, pesquisa ou até mesmo como professor, o que importa é o resultado prático. Se você trabalha em empresa, o resultado será um projeto bem feito, robusto e com qualidade. Para quem trabalha na pesquisa o resultado pode ser uma ideia diferente e a redação de um bom artigo sobre ela. Caso você seja professor seu resultado é fazer com que seus alunos compreendam a disciplina e saiam dela com um conhecimento maior.

   O resultado prático, além de ser o que importa, é também o que é visto. Quando alguém nos mostra algo, a primeira coisa que vemos é o que está feito. Não vemos o caminho trilhado para aquilo ser feito. No caso do projetista não vemos se ele fez contas ou não para implementar aquele projeto, ou se o pesquisador estudou ou não para chegar na ideia apresentada, ou se o professor preparou ou não as aulas para serem claras.

   Uma vez que o que importa e o que vemos são resultados práticos, do que importa a teoria? Por que não cortar carga teórica dos cursos de graduação e aumentar o enfoque na prática? Pois  bem, para argumentar sobre isso vou me basear no meu curso de graduação em engenharia. Não sei o quanto esse problema impacta  outros cursos de graduação.

   O currículo contém disciplinas teóricas como matemática e física pois aquilo é esperado de um engenheiro. É pré requisito para o título de engenheiro um conhecimento nessas áreas, mesmo que ele não trabalhe com isso no dia a dia. E o conhecimento teórico é fundamental quando se projeta algo que nunca foi feito. Quando você está fazendo algo que já foi feito e com bases bem conhecidas, é comum utilizar o senso comum e trabalhar por tentativa e erro. Nesse caso talvez essa técnica apresente um melhor custo-benefício do que sentar, calcular e depois implementar. Um exemplo bem básico disso é ligar um LED em uma bateria de 12V. Enquanto alguém sentar para calcular a queda de tensão do LED e a corrente necessária para acendê-lo eu já coloquei um resistor de 1K e o LED já está brilhando. Nesse caso ligar um LED é algo conhecido que não necessita cálculo.

   Porém, quanto mais um projeto sai do senso comum maior será a relevância da teoria. Quando alguém precisa fazer algo que nunca foi feito, não há nada anterior no que se basear. E nesse caso se recorre a teoria. E existem exemplos disso. Quando os EUA precisaram construir a primeira bomba nuclear, eles reuniram um grupo de excelentes físicos e pesquisadores. Pessoas que estavam na fronteira da teoria nuclear. Hoje em dia, após a criação das bombas nucleares, diversos países relativamente pequenos as possuem (coisa realmente preocupante). Dizem até que bomba nuclear possui uma fabricação quase "caseira" nos dias de hoje (outro fato preocupante). Mas se construí-la é algo "simples", por que os Estados Unidos recrutaram seus melhores cientistas para fazê-la? Por que até aquele momento isso nunca tinha sido feito.

   Se você procurar qualquer coisa grandiosa já feita, ela contou com o apoio de cientistas que dominavam a teoria. Você acha que a NASA envia sondas espaciais para o espaço sem levar em conta modelos teóricos e matemáticos? Conforme a complexidade de um projeto aumenta, seu custo aumenta e seu nível de "novidade" aumenta, a técnica de tentativa e erro se torna inviável e, nesse caso, a teoria adquire um espaço importante.

   Mas nesse momento alguém poderia dizer: "mas eu não vou construir bombas e nem trabalhar na NASA. Por que preciso de tanta teoria?". A resposta é: a faculdade ou universidade não sabe o que você vai fazer. No ensino médio eu estudei geografia, algo que nunca usei na minha vida profissional. Porém no ensino médio a escola não sabia o que cada aluno faria, e pode ser que algum dos meus colegas esteja utilizando esse conhecimento em seu trabalho. O mesmo se aplica para a universidade. Eles não sabem quais de seus alunos trabalharão na indústria, quais serão professores e quais se direcionarão à pesquisa. Eles não sabem quais vão trabalhar na Fórmula 1 ou se algum deles será contratado pela NASA.  Então eles buscaram construir um currículo que atendesse ao maior número de possíveis necessidades futuras.

   Por fim, digo que concordo que os cursos devem  levar em conta a prática. Eles devem adequar seus currículos para incluir visitas a empresas ou locais cotidianos da profissão, devem realizar palestras com projetistas de  empresas do setor em questão. Agora a pessoa que diz que deveria ter menos teoria (e em geral atacam as disciplinas de cálculo e física) por que ela  não consegue entendê-la ou passar em uma disciplina teórica, na minha opinião, não tem o necessário para ser formado em um curso de nível superior.

   Por hoje era isso. Se concorda, discorda ou tem algo a dizer sobre isso, use os comentários. Abraço a todos e que continuemos estudando.